Mat/Med: o que é, como faturar materiais e medicamentos e o papel do Brasíndice e do Simpro
Entenda o que é Mat/Med, como cobrar materiais e medicamentos do convênio pela guia de outras despesas, como Brasíndice e Simpro entram no preço e os erros que mais geram glosa.
Mat/Med é a abreviação de materiais e medicamentos: os insumos consumidos em exames, procedimentos e internações que a clínica pode cobrar do convênio além do valor do procedimento. No padrão TISS, esses itens são faturados na guia de outras despesas, com código TUSS, quantidade e preço calculado a partir da referência prevista em contrato, normalmente Brasíndice ou Simpro.
Neste artigo você vai entender o que é Mat/Med, o que entra e o que não entra na cobrança, como preencher a guia de outras despesas, como funcionam as referências de preço e os erros que mais causam glosa em materiais e medicamentos.
O que é Mat/Med
Quando um paciente faz uma infiltração, uma pequena cirurgia ou uma sessão de medicação no consultório, a clínica tem dois custos diferentes: o trabalho do profissional (o procedimento) e os insumos consumidos. O Mat/Med é a segunda parte. Exemplos:
- Materiais: seringas, agulhas, cateteres, luvas estéreis, campos cirúrgicos, fios de sutura, curativos especiais, eletrodos.
- Medicamentos: anestésicos locais, corticoides injetáveis, antibióticos, soros e soluções, contrastes.
- Relacionados: taxas de sala, diárias e gases medicinais, que também vão na mesma guia, embora não sejam Mat/Med no sentido estrito.
Para clínicas que fazem procedimentos, o Mat/Med pode representar uma parte relevante da receita de convênio, e também uma parte relevante das perdas, quando o insumo é usado e não é cobrado, ou é cobrado de forma errada.
Materiais e medicamentos no faturamento TISS
No padrão TISS, materiais e medicamentos não entram como procedimento: eles vão em um anexo próprio, a guia de outras despesas, sempre vinculada a uma guia principal.
| Cenário | Guia principal | Onde vai o Mat/Med |
|---|---|---|
| Procedimento ou exame ambulatorial | Guia SP/SADT | Guia de outras despesas vinculada à SP/SADT |
| Internação | Resumo de internação | Guia de outras despesas vinculada ao resumo |
| Consulta simples | Guia de consulta | Em regra, não há cobrança de Mat/Med |
Os itens são identificados por códigos da terminologia TUSS, que tem tabelas próprias para materiais, medicamentos e para diárias e taxas. Para entender a guia principal, veja o artigo sobre guia SADT.
Guia de outras despesas: como preencher
Cada linha da guia de outras despesas representa um item consumido. Os dados essenciais são:
- Número da guia principal a que o anexo está vinculado.
- Tipo de despesa: material, medicamento, taxa, diária, gás medicinal, OPME.
- Data em que o item foi usado.
- Código TUSS do item e a tabela de origem.
- Quantidade e unidade de medida (ampola, frasco, unidade, mL).
- Valor unitário calculado conforme a referência do contrato, e valor total.
- Registro ANVISA e referência do fabricante, quando exigidos.
A unidade de medida é um ponto sensível: cobrar "1" quando a referência de preço é por mL, ou cobrar o frasco inteiro quando o contrato paga por dose, gera divergência imediata.
Brasíndice e Simpro: as referências de preço
A TUSS identifica o item, mas não diz quanto ele custa. Para isso, o mercado usa publicações de referência de preços, e o contrato com a operadora define qual vale:
- Brasíndice: publicação de referência de preços de medicamentos (e também de outros itens), muito usada como base para medicamentos na saúde suplementar.
- Simpro: publicação de referência de preços, muito usada para materiais e produtos para saúde.
Ambas são atualizadas periodicamente e trazem diferentes tipos de preço. Por isso, o contrato precisa dizer não só qual publicação usar, mas qual edição ou data de vigência, qual tipo de preço e se há deságio ou acréscimo. Exemplos de cláusulas comuns:
- Medicamentos pela referência Brasíndice, com determinado percentual de ajuste.
- Materiais pela referência Simpro, com determinado percentual de ajuste.
- Itens sem referência publicada pagos por nota fiscal de compra mais taxa de comercialização.
- Alguns itens incluídos em pacote, sem cobrança separada.
Brasíndice e Simpro não são sistemas de gestão de clínica: são as tabelas de preço que o sistema da clínica importa ou consulta para calcular o valor do item.
Mat/Med e glosas
Materiais e medicamentos estão entre as maiores fontes de glosa técnica, porque envolvem muitos itens, códigos e unidades. As causas mais frequentes:
- Item incluso no procedimento: cobrar à parte o que o contrato considera parte do pacote ou da taxa.
- Código TUSS inexistente ou de tabela errada.
- Preço fora da referência: edição desatualizada ou ajuste diferente do contratado.
- Quantidade incompatível com o procedimento (ex.: dez ampolas para uma infiltração).
- Falta de registro no prontuário: o item foi cobrado, mas não aparece na descrição do procedimento.
- Guia de outras despesas sem vínculo com a guia principal.
Veja outras causas e como recorrer em tipos de glosas e como reduzir glosas de convênio.
Mat/Med no atendimento particular
O conceito de Mat/Med não é exclusivo do convênio. No atendimento particular, a clínica também precisa decidir como tratar os insumos:
- Preço fechado: o valor do procedimento já inclui materiais e medicamentos. É mais simples para o paciente, mas exige que o custo dos insumos esteja bem calculado.
- Cobrança separada: procedimento e insumos aparecem em linhas diferentes do orçamento, útil quando o consumo varia muito de um paciente para outro.
Nos dois casos, conhecer o custo real de cada material é o que permite precificar sem prejuízo. Veja como fazer essa conta em como precificar consultas e procedimentos.
Boas práticas de Mat/Med na clínica
- Cadastre cada item uma vez, com código TUSS, unidade de medida e referência de preço.
- Mantenha a tabela de cada convênio com as regras do contrato (o que é cobrado à parte e o que é pacote).
- Registre o consumo no momento do procedimento, não no fim do mês.
- Descreva no prontuário os materiais e medicamentos relevantes usados.
- Atualize as referências de preço na periodicidade prevista no contrato.
- Valide o lote antes de enviar, usando um validador TISS.
- Separe medicamentos controlados: o controle e a escrituração seguem a Portaria SVS/MS 344/1998, independentemente do faturamento.
O fluxo completo de cobrança está em faturamento TISS passo a passo.
Mat/Med no dia a dia da clínica
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Perguntas frequentes
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