CBHPM: o que é a tabela e como calcular honorários médicos por porte e UCO
O que é a tabela CBHPM, como ela classifica procedimentos em portes, o que é a UCO, como calcular honorários médicos, a relação com TUSS e com os contratos de convênio.
A CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos) é a tabela de referência da classe médica para honorários. Ela classifica cada procedimento em um porte, que define o valor do trabalho médico, e atribui um custo operacional medido em UCO. O cálculo do honorário é a soma desses componentes, com valores de referência publicados pela AMB.
Este artigo explica o que é a tabela CBHPM, de onde ela veio, como funciona o cálculo por porte e UCO, como ela se relaciona com a TUSS e com o contrato de convênio e como usá-la para precificar o atendimento particular.
O que é a CBHPM e de onde ela veio
Antes de 2003, a referência de honorários era a tabela AMB, em edições que ficaram conhecidas pelo ano (AMB 90, AMB 92, AMB 96). O problema era que cada operadora adotava uma edição diferente, com valores defasados, e os critérios de hierarquização entre procedimentos eram inconsistentes.
A CBHPM nasceu em 2003 como resposta: a Associação Médica Brasileira, com o Conselho Federal de Medicina, a Federação Nacional dos Médicos e as sociedades de especialidade, reclassificou todos os procedimentos segundo complexidade técnica, tempo de execução, nível de atenção exigido e formação necessária. O resultado é uma lista hierarquizada, em que procedimentos de mesma complexidade ficam no mesmo porte, independentemente da especialidade.
A tabela recebe novas edições e atualizações de valores pela AMB, que é a fonte oficial para "tabela CBHPM 2025", "tabela CBHPM 2026" ou qualquer outra edição.
Como a CBHPM organiza os procedimentos
Cada procedimento tem quatro informações principais:
- Porte: de 1 a 14, com subdivisões A, B e C (1A, 1B, 1C, 2A ... 14C). Quanto maior o porte, maior a complexidade e o honorário do trabalho médico. Uma consulta tem porte próprio; uma cirurgia de grande porte fica nos portes altos.
- Custo operacional em UCO: número de unidades de custo operacional que o procedimento consome (estrutura, equipamentos, insumos de rotina, pessoal técnico). Procedimentos de consultório com equipamento próprio, como exames de imagem, têm UCO elevada; uma consulta pode ter UCO baixa ou zero.
- Porte anestésico: de 0 a 8, define o honorário do anestesiologista quando o procedimento exige anestesia.
- Número de auxiliares: quantos médicos auxiliares o procedimento prevê, cada um remunerado com um percentual do porte do cirurgião, conforme as instruções gerais da tabela.
Além disso, as instruções gerais da CBHPM definem regras para procedimentos múltiplos na mesma via de acesso, procedimentos bilaterais, atendimento em horário especial e outras situações que alteram o cálculo.
Como calcular honorários pela CBHPM
O mecanismo é o mesmo para qualquer procedimento:
Valor do procedimento = valor do porte (honorário médico) + (quantidade de UCO × valor da UCO) + porte anestésico (quando houver) + auxiliares (quando houver)
Os valores do porte e da UCO são os publicados pela AMB para a edição em uso. Como eles mudam, não vamos reproduzi-los aqui; o exemplo abaixo usa números hipotéticos apenas para mostrar o raciocínio.
Exemplo de cálculo (valores hipotéticos)
Suponha um procedimento de consultório classificado como porte 3B, com 2 UCO de custo operacional, sem anestesia e sem auxiliares. Suponha ainda que, na edição adotada, o porte 3B valha R$ 150 e a UCO valha R$ 20:
| Componente | Cálculo | Valor |
|---|---|---|
| Honorário médico (porte 3B) | valor de referência do porte | R$ 150 |
| Custo operacional | 2 UCO × R$ 20 | R$ 40 |
| Porte anestésico | não se aplica | R$ 0 |
| Total | R$ 190 |
Se o mesmo procedimento fosse cirúrgico, com porte anestésico 3 e um auxiliar, somaria-se o valor do porte anestésico (pago ao anestesiologista) e o percentual do porte destinado ao auxiliar. Filmes, contrastes, materiais especiais e medicamentos não entram no cálculo: são cobrados à parte.
O que acontece na negociação com a operadora
Na prática, o contrato raramente paga "100% da CBHPM vigente". O comum é encontrar variações como:
- CBHPM de uma edição específica, sem atualização automática;
- percentual da CBHPM (por exemplo, 70% ou 80% dos portes), com UCO cheia ou reduzida;
- valor fixo para consulta e CBHPM só para procedimentos;
- tabela própria da operadora, com a CBHPM usada apenas como argumento de negociação.
Por isso, antes de assinar, a clínica deve simular o faturamento dos seus dez procedimentos mais frequentes com a regra proposta e comparar com o custo real de cada um. O passo a passo da negociação está em como se credenciar em convênio médico.
CBHPM, TUSS e TISS: como se encaixam
É comum confundir as três siglas, porque aparecem juntas no faturamento:
| Sigla | Quem publica | Função |
|---|---|---|
| CBHPM | AMB | Classifica o procedimento em porte e sugere valor de referência |
| TUSS | ANS | Dá o código único que identifica o procedimento na saúde suplementar |
| TISS | ANS | Padroniza as guias e a troca de informações entre prestador e operadora |
A codificação TUSS foi construída tendo a CBHPM como uma de suas bases, por isso muitos procedimentos têm descrições parecidas nas duas. Mas a TUSS não traz valor: na guia TISS vai o código TUSS, e o valor pago sai do contrato, que pode ou não usar a CBHPM. Veja tabela TUSS: o que é e, para a montagem das guias, guia SADT.
CBHPM no atendimento particular
No particular, a clínica tem liberdade de preço, mas a CBHPM continua útil por três motivos:
- Referência de piso: se o preço particular está abaixo do que a CBHPM sugere para o porte, provavelmente o custo operacional não está sendo coberto.
- Hierarquia entre procedimentos: os portes ajudam a manter coerência na tabela própria, evitando que um procedimento complexo custe menos que um simples.
- Argumento com o paciente e com seguradoras de reembolso: muitas seguradoras usam múltiplos da CBHPM para calcular reembolso, e o paciente entende melhor um preço ancorado em uma referência.
O preço final, porém, deve nascer do custo da clínica, do tempo do profissional e do posicionamento. O método está em como precificar consultas e procedimentos.
Erros comuns ao usar a CBHPM
- Usar valores de porte e UCO de uma edição e regras de instruções gerais de outra.
- Esquecer o custo operacional e negociar só o porte, o que subestima procedimentos com equipamento.
- Aceitar contrato sem data-base de reajuste, contrariando o que a Lei 13.003/2014 prevê para contratos entre operadora e prestador.
- Não conferir se o código TUSS da guia corresponde ao procedimento cujo porte foi negociado, o que gera glosa.
- Copiar valores de sites não oficiais em vez da edição publicada pela AMB.
CBHPM no dia a dia da clínica
O cálculo pela CBHPM é simples; o difícil é manter, para cada convênio, a tabela negociada atualizada e aplicar o valor certo em cada guia. No OnDoctor, a clínica cadastra os convênios com suas tabelas e regras, emite as guias no padrão TISS com os códigos corretos e acompanha no financeiro quanto cada operadora paga por procedimento, o que facilita a próxima negociação. Veja em recursos do OnDoctor.
Perguntas frequentes
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