Siglas de prescrição: o que significam SID, BID, TID, QID, QSP, VO, SN, ACM e outras abreviações
Tabela completa das siglas usadas em receitas e prontuários: frequência (SID, BID, TID, QID), vias (VO, IM, IV, SC, SL), quantidades (QSP, cp, gts) e liberação (XR, SR, LP).
SID, BID, TID e QID significam, respectivamente, uma, duas, três e quatro vezes ao dia; são abreviações do latim que indicam a frequência das doses. Junto delas, receitas e prontuários usam dezenas de outras siglas de prescrição para via de administração, quantidade, forma farmacêutica e tipo de liberação, e é esse código que torna uma receita difícil de ler para quem não é da área.
Este guia traz a tabela completa das abreviações mais comuns, explica cada grupo e mostra por que a prescrição eletrônica está aposentando boa parte delas.
Siglas de frequência: SID, BID, TID, QID e MID
São as mais buscadas porque aparecem em quase toda receita e porque a diferença entre elas é uma letra:
| Sigla | Latim | Significado | Intervalo usual |
|---|---|---|---|
| SID (ou QD) | semel in die / quaque die | 1 vez ao dia | 24/24 h |
| BID (ou BD) | bis in die | 2 vezes ao dia | 12/12 h |
| TID | ter in die | 3 vezes ao dia | 8/8 h |
| QID | quater in die | 4 vezes ao dia | 6/6 h |
| MID | mane in die | pela manhã | 1 vez, de manhã |
| HS | hora somni | ao deitar | 1 vez, à noite |
| DU | — | dose única | uma só vez |
| SN (ou PRN) | pro re nata | se necessário | conforme sintoma |
| ACM | — | a critério médico | definido pelo prescritor |
Um detalhe que gera confusão: SID é padrão em medicina veterinária e também aparece em prescrições humanas no Brasil; em outros países a sigla equivalente é QD. Quando um sistema ou um profissional usa uma e outro usa outra, a leitura pode falhar. Escrever "1 vez ao dia" resolve.
Vias de administração: VO, IM, IV, SC, SL e outras
| Sigla | Via | Observação |
|---|---|---|
| VO | Via oral | comprimidos, cápsulas, xaropes |
| IM | Intramuscular | injeção no músculo |
| IV ou EV | Intravenosa / endovenosa | direto na veia; as duas siglas coexistem |
| SC | Subcutânea | insulina, anticoagulantes |
| SL | Sublingual | embaixo da língua, absorção rápida |
| VR | Via retal | supositórios |
| VN | Via nasal | sprays |
| TOP | Tópica | pele, cremes e pomadas |
| INAL | Inalatória | nebulização, bombinhas |
Quantidades, unidades e formas: QSP, cp, cáps, fr, gts, mg, mL, UI
Aqui estão as siglas que mais aparecem na busca "abreviação de miligrama, frasco, cápsula":
| Sigla | Significado | Exemplo na receita |
|---|---|---|
| mg | miligrama | Amoxicilina 500 mg |
| mcg ou µg | micrograma | Levotiroxina 50 mcg (evite "µg" manuscrito; confunde com mg) |
| g | grama | Azitromicina 1 g |
| mL | mililitro | 5 mL de 8 em 8 h |
| UI | unidade internacional | Insulina 10 UI |
| cp / comp | comprimido | 1 cp VO 12/12 h |
| cáps | cápsula | 1 cáps VO 1x/dia |
| fr | frasco | 1 fr de 100 mL |
| amp | ampola | 1 amp IM |
| gts | gotas | 20 gts VO SN |
| cx | caixa | 1 cx com 30 cp |
| ½ cp | meio comprimido | ½ cp pela manhã (só quando o comprimido é sulcado) |
| QSP | quantidade suficiente para | Água destilada QSP 100 mL |
| q.s. | quantidade suficiente | em fórmulas manipuladas |
Sobre o "1/2 comprimido": só faz sentido quando a apresentação permite a divisão. Comprimidos de liberação prolongada e drágeas não devem ser partidos, e a receita precisa deixar isso claro.
Tipos de liberação: XR, SR, CR, LP, LA, AP
Essas siglas fazem parte do nome comercial e indicam que o medicamento libera o princípio ativo de forma modificada:
- XR / XL (extended release) e SR (sustained release): liberação prolongada ao longo de horas.
- CR (controlled release): liberação controlada, com velocidade definida.
- LP e AP: as versões em português, "liberação prolongada" e "ação prolongada".
- LA (long acting): ação longa.
- ODT (orally disintegrating tablet): comprimido que se desfaz na boca, sem água.
Trocar a versão comum pela XR, ou vice-versa, altera a frequência e pode alterar o efeito. Por isso o sufixo faz parte da prescrição e não pode ser omitido.
Siglas de prontuário: BEG, TTO, PSR e outras
Algumas abreviações não são de receita, e sim de evolução clínica, mas aparecem nas mesmas buscas:
- BEG: bom estado geral (REG regular, MEG mau estado geral).
- TTO ou TTT: tratamento ("iniciado TTO com...").
- HD: hipótese diagnóstica; CD: conduta.
- HMA / HPP: história da moléstia atual / história patológica pregressa.
- ID: em prontuário geralmente é "idade" ou "identificação", mas em algumas receitas é usado como "in die" (ao dia), fonte de confusão com "intradérmico". Mais um motivo para escrever por extenso.
- PSR: não é sigla padronizada de prescrição. Em odontologia, é o Registro Periodontal Simplificado (Periodontal Screening and Recording); em outros contextos pode ser abreviação local. Se aparecer em uma receita, pergunte ao prescritor.
- SOAP: subjetivo, objetivo, avaliação e plano, o formato de evolução.
Para o vocabulário mais amplo da área (anamnese, prognóstico, iatrogenia e afins), veja terminologias médicas.
Siglas e erros de medicação
As abreviações são um dos fatores mais citados em programas de segurança do paciente quando o assunto é erro de medicação. Os casos clássicos:
- "U" em vez de "UI" lido como zero: 10U vira 100.
- Vírgula e zero à direita: "1,0 mg" lido como "10 mg". A orientação é nunca usar zero após a vírgula e sempre usar zero antes dela ("0,5 mg", não ",5 mg").
- QD e QID trocados: uma vez ao dia vira quatro.
- µg manuscrito lido como mg: diferença de mil vezes.
- SC e SL parecidos na letra apressada.
Por isso a recomendação de instituições de segurança do paciente é escrever a posologia por extenso e, nas receitas entregues ao paciente, não usar sigla nenhuma. Os tipos de receita e o que cada uma exige estão no artigo sobre prescrição médica e tipos de receita.
Como a prescrição digital elimina a ambiguidade
Na prescrição eletrônica, o profissional seleciona o medicamento e preenche dose, intervalo, via e duração em campos; o sistema gera o texto completo ("tomar 1 comprimido por via oral a cada 12 horas durante 7 dias") e imprime ou assina digitalmente. Não há sigla para decifrar, a unidade sai padronizada e o documento pode ser validado pela farmácia. O funcionamento completo está em como funciona a receita digital.
Para a equipe da clínica, o ganho é duplo: menos ligação de farmácia perguntando o que está escrito e menos paciente voltando por dúvida. No OnDoctor, a prescrição digital fica dentro do prontuário, com modelos personalizáveis por profissional e assinatura digital integrada, e a receita sai legível para todo mundo que precisa lê-la.
Perguntas frequentes
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