Terminologias médicas: termos, abreviações e siglas mais usados no prontuário
Guia das terminologias médicas mais usadas na clínica: abreviações de prontuário (HDA, HPP, QP, PA, SIC), prefixos e sufixos, o que significa TO e como padronizar o registro.
Terminologias médicas são o vocabulário técnico que médicos, dentistas, enfermeiros e demais profissionais de saúde usam para descrever o corpo, os sintomas, as doenças e as condutas de forma precisa e sem ambiguidade. Na prática da clínica, elas aparecem em três formas: termos completos (como "hipertensão arterial sistêmica"), abreviações e siglas de prontuário (como HAS, QP, HDA) e códigos padronizados, como o CID.
Este guia reúne a terminologia médica mais usada no dia a dia de clínicas e consultórios, com tabela de abreviações, prefixos e sufixos que ajudam a decifrar qualquer termo, o significado de siglas ambíguas como "TO" e boas práticas para padronizar o registro no prontuário.
Por que a terminologia médica existe
A maior parte dos termos médicos vem do grego e do latim e segue uma lógica de montagem: um radical (a parte do corpo ou a função), um prefixo (que indica posição, quantidade ou intensidade) e um sufixo (que indica o que acontece). "Gastrite" é gastr- (estômago) + -ite (inflamação). "Nefrectomia" é nefr- (rim) + -ectomia (remoção cirúrgica). Quem conhece umas poucas dezenas de peças consegue entender centenas de termos.
Essa padronização tem função clínica e jurídica. O prontuário é um documento legal, e o registro precisa ser compreensível por qualquer outro profissional que atenda o paciente, por um perito ou pelo próprio paciente, que tem direito de acesso. Termos vagos ("paciente mal", "dor forte") não cumprem esse papel.
Termos médicos mais utilizados na clínica
Alguns termos aparecem todos os dias, em qualquer especialidade:
- Anamnese: a entrevista clínica que levanta a história do paciente. É a base do prontuário; veja tudo sobre anamnese.
- Sinal e sintoma: sinal é o que o profissional observa ou mede (febre, edema); sintoma é o que o paciente relata (dor, tontura).
- Agudo e crônico: agudo tem início rápido e curta duração; crônico persiste por meses ou anos.
- Etiologia: a causa da doença. Idiopático é o que não tem causa identificada.
- Prognóstico: a evolução esperada. Diagnóstico: a identificação da doença.
- Edema: acúmulo de líquido (inchaço). Eritema: vermelhidão. Cianose: coloração azulada por falta de oxigênio.
- Dispneia: dificuldade de respirar. Taquicardia / bradicardia: frequência cardíaca alta / baixa.
- Profilaxia: prevenção. Iatrogenia: dano causado pelo próprio tratamento.
- Comorbidade: doença que coexiste com a principal.
- Intercorrência: evento inesperado durante o tratamento.
Abreviações comuns em prontuário (tabela)
Siglas economizam tempo, mas só funcionam se toda a equipe lê a mesma coisa. Esta é a lista que mais aparece em prontuários de clínicas brasileiras:
| Sigla | Significado | Onde aparece |
|---|---|---|
| QP | Queixa principal | Abertura da anamnese |
| HDA / HMA | História da doença atual / história da moléstia atual | Anamnese (sinônimos) |
| HPP | História patológica pregressa | Anamnese |
| HF | História familiar | Anamnese |
| ISDA | Interrogatório sintomatológico dos diversos aparelhos | Anamnese (revisão de sistemas) |
| SIC | Segundo informações colhidas (relato do paciente) | Registro de queixas |
| PA | Pressão arterial | Sinais vitais |
| FC / FR | Frequência cardíaca / frequência respiratória | Sinais vitais |
| SatO2 | Saturação de oxigênio | Sinais vitais |
| AVP | Acesso venoso periférico | Procedimentos, enfermagem |
| HAS | Hipertensão arterial sistêmica | Diagnósticos, HPP |
| DM | Diabetes mellitus (DM1, DM2) | Diagnósticos, HPP |
| IAM | Infarto agudo do miocárdio | Diagnósticos, HPP |
| AVC / AVE | Acidente vascular cerebral / encefálico | Diagnósticos, HPP |
| DPOC | Doença pulmonar obstrutiva crônica | Diagnósticos, HPP |
| HD | Hipótese diagnóstica | Fechamento do atendimento |
| CD | Conduta | Fechamento do atendimento |
| SN / ACM | Se necessário / a critério médico | Prescrição |
| VO / IM / EV | Via oral / intramuscular / endovenosa | Prescrição |
| BEG / REG / MEG | Bom / regular / mau estado geral | Exame físico |
O que significa "TO" na medicina
"TO" é um bom exemplo de sigla ambígua. Na maioria das clínicas multiprofissionais, TO é Terapia Ocupacional (ou o próprio terapeuta ocupacional), profissão regulamentada que atua em reabilitação, saúde mental e desenvolvimento infantil. Em alguns serviços, porém, "TO" aparece em outros sentidos: "temperatura oral" em folhas de sinais vitais, "termo" em alguns contextos administrativos (termo de consentimento), ou até "trombose" em anotações informais.
A regra para evitar erro é simples: quando a sigla pode significar mais de uma coisa, escreva por extenso na primeira vez ou defina a convenção da clínica. Em um prontuário compartilhado entre médico, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional, "encaminhado para TO" precisa significar a mesma coisa para todos.
Prefixos e sufixos que decifram qualquer termo
Com estas peças dá para entender a maioria dos termos médicos sem dicionário:
Sufixos
- -ite: inflamação (gastrite, tendinite, otite).
- -oma: tumor ou massa (lipoma, carcinoma, hematoma).
- -ose: condição ou processo degenerativo (artrose, cirrose, esclerose).
- -ectomia: remoção cirúrgica (apendicectomia, histerectomia).
- -tomia: corte ou abertura (laparotomia).
- -stomia: abertura artificial (colostomia).
- -plastia: reconstrução (rinoplastia).
- -algia: dor (cefaleia, lombalgia, mialgia).
- -emia: no sangue (anemia, glicemia, hiperglicemia).
- -patia: doença (neuropatia, cardiopatia).
- -scopia: exame visual (endoscopia, colonoscopia).
- -grafia: registro em imagem (radiografia, mamografia).
Prefixos
- hiper- / hipo-: acima / abaixo do normal (hipertensão, hipotireoidismo).
- taqui- / bradi-: rápido / lento (taquicardia, bradicardia).
- a- / an-: ausência (afagia, anúria, anemia).
- dis-: dificuldade ou alteração (dispneia, disfagia).
- poli-: muitos (poliúria, polineuropatia).
- hemi-: metade (hemiplegia).
- peri- / endo- / epi-: ao redor / dentro / sobre (pericardite, endometrio, epiderme).
- pré- / pós-: antes / depois (pré-operatório, pós-parto).
CID: a terminologia como código
Quando o diagnóstico precisa ser comunicado para fora da clínica (guia de convênio, atestado com autorização do paciente, laudo, encaminhamento), a terminologia por extenso vira um código da Classificação Internacional de Doenças. "Asma" vira J45, "transtorno de ansiedade" vira F41, "náusea e vômito" vira R11, "exame geral de rotina" vira Z00.
O CID padroniza o que cada profissional chamaria com palavras diferentes, e é obrigatório nas guias TISS. Para consultar qualquer código, use a tabela CID-10 com busca; para entender a estrutura dos capítulos, leia o que é CID-10.
Como padronizar a terminologia no prontuário da clínica
- Crie uma lista oficial de siglas da clínica, com significado único para cada uma, e disponibilize para toda a equipe, inclusive recepção.
- Escreva por extenso o que é ambíguo. Vale para TO, AVE/AVC, DM sem tipo, "PA" quando o contexto pode ser "pronto atendimento".
- Use campos estruturados na anamnese. QP, HDA, HPP, HF, ISDA e exame físico como campos separados evitam texto corrido e facilitam busca.
- Registre o diagnóstico com CID no fechamento do atendimento, mesmo que seja hipótese (com a sigla HD).
- Treine a recepção no básico: nomes de especialidades, siglas de exames (RX, USG, TC, RM, ECG, EEG), e o que significa cada tipo de guia.
- Evite abreviações em documentos para o paciente. Atestado, receita e orientações devem ser legíveis por leigos.
Terminologia padronizada no prontuário do OnDoctor
No OnDoctor, a anamnese é personalizável por especialidade: a clínica define os campos (QP, HDA, HPP, exame físico, escalas) e todos os profissionais registram no mesmo formato. A busca de CID está integrada ao atendimento, e o código registrado já alimenta a guia TISS e o atestado. Conheça os recursos do prontuário eletrônico e teste grátis por 7 dias, sem cartão.
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