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Saúde · 5 min de leitura

Prescrição médica: tipos de receita (branca, azul, amarela), como fazer e validade

Guia da prescrição médica: os tipos de receita (simples, controle especial, azul B e amarela A), o que deve constar, validade, exemplo pronto e como funciona a receita digital.

OD
Equipe OnDoctor
Sistema para clínicas e consultórios
Prescrição médica: tipos de receita (branca, azul, amarela), como fazer e validade

Prescrição médica é o documento em que o médico (ou outro prescritor habilitado) indica, por escrito, o medicamento, a dose, a via, a frequência e a duração do tratamento de um paciente. Para ser válida, a receita precisa ser legível, identificar prescritor e paciente, trazer data e assinatura e usar o tipo de receituário correto para a classe do medicamento: branca simples, branca de controle especial, azul (B) ou amarela (A).

Este guia explica cada tipo de receita médica, o que deve constar na prescrição de medicamentos, a validade de cada receituário, um exemplo de prescrição pronto e como a receita digital funciona hoje.

O que deve constar em uma prescrição médica

A Lei 5.991/1973 exige que a receita seja escrita de forma legível, com nome e endereço do paciente, modo de usar, data e assinatura do prescritor. Na prática, o conteúdo mínimo de uma boa prescrição é:

  1. Cabeçalho: nome do médico, CRM/UF, especialidade, endereço e telefone do consultório (ou os dados da clínica).
  2. Paciente: nome completo e endereço; data de nascimento e peso são importantes em pediatria.
  3. Medicamento: nome (de preferência pela denominação genérica), concentração e forma farmacêutica. Exemplo: "Amoxicilina 500 mg, cápsula".
  4. Quantidade: número de unidades ou caixas, por extenso quando for controlado.
  5. Modo de uso (posologia): via, dose, intervalo e duração. "Tomar 1 cápsula, por via oral, a cada 8 horas, por 7 dias."
  6. Data, assinatura e identificação do prescritor; carimbo quando os dados não estão impressos.

Uma receita deve indicar uma prescrição clara por medicamento; não misture orientações não farmacológicas no mesmo bloco. O diagnóstico não é obrigatório na receita, mas quando o médico inclui o código CID, deve ter autorização do paciente, como no atestado.

Tipos de receita médica

A classificação vem da Portaria SVS/MS 344/1998, que organiza os medicamentos sujeitos a controle especial em listas (A, B, C e outras) e define o receituário de cada uma.

Tipo de receituárioCorPara quais medicamentosVias e validade
Receita simplesBrancaMedicamentos sem controle especial (tarja vermelha comum e sem tarja)1 via; sem prazo federal fixo
Receita de antimicrobianosBrancaAntibióticos e demais antimicrobianos de uso sob prescrição2 vias; 10 dias
Receita de controle especialBrancaListas C1 (antidepressivos, anticonvulsivantes, antipsicóticos, entre outros) e C5 (anabolizantes)2 vias; 30 dias
Notificação de receita BAzulLista B1 (psicotrópicos, como benzodiazepínicos) e B2 (anorexígenos)Formulário numerado; 30 dias
Notificação de receita AAmarelaListas A1 e A2 (entorpecentes, como opioides fortes) e A3 (psicotrópicos de maior controle)Formulário numerado; 30 dias
Notificação de receita especialBrancaRetinoides de uso sistêmico (C2) e talidomida (C3), com termos de consentimento própriosFormulário específico; prazos próprios

Receita branca simples

É a receita do dia a dia: analgésicos comuns, anti-hipertensivos, antidiabéticos orais, anticoncepcionais. Pode ser impressa, manuscrita ou digital. A farmácia retém apenas quando há exigência específica (antimicrobianos, por exemplo).

Receita branca de controle especial

Vale para a maior parte dos psicofármacos usados em consultório (antidepressivos, estabilizadores de humor, anticonvulsivantes). Emitida em duas vias: a primeira fica retida na farmácia, a segunda volta ao paciente. Validade de 30 dias e quantidade limitada ao tratamento previsto na norma.

Receita azul (B)

A notificação de receita B, de cor azul, é usada para psicotrópicos da lista B, como benzodiazepínicos e hipnóticos. O talão numerado é de responsabilidade do prescritor e vinculado à vigilância sanitária local. Deve acompanhar uma receita comum com as orientações de uso.

Receita amarela (A)

A notificação de receita A, amarela, é destinada a entorpecentes e psicotrópicos de controle mais rígido, como morfina e metilfenidato. O talão é fornecido pela vigilância sanitária, numerado e nominal ao prescritor, com limite de quantidade por notificação.

Receituário verde existe?

Não como tipo previsto na norma federal. A Portaria 344 trabalha com amarela, azul e branca. Quando aparece um "receituário verde", trata-se de modelo institucional, de programa estadual ou de outra profissão regulamentada, não de uma categoria de medicamento controlado.

Exemplo de prescrição médica

Dr(a). [Nome] — CRM [UF] [número] — [Especialidade] — [Clínica, endereço, telefone]

Paciente: [Nome completo] — [Endereço] — Data de nascimento: [DD/MM/AAAA]

Uso oral

1) Amoxicilina 500 mg, cápsula — 21 cápsulas. Tomar 1 cápsula, por via oral, a cada 8 horas, por 7 dias.

2) Dipirona 500 mg, comprimido — 10 comprimidos. Tomar 1 comprimido, por via oral, a cada 6 horas, se dor ou febre, por até 3 dias.

[Cidade], [DD/MM/AAAA]. [Assinatura e carimbo ou assinatura digital ICP-Brasil]

O exemplo é ilustrativo e não substitui a avaliação clínica de cada caso. O ponto é a estrutura: um item por medicamento, quantidade total, modo de uso completo e duração.

Erros que invalidam ou atrapalham a receita

  • Letra ilegível ou abreviações ambíguas ("1 cp 8/8h s/n").
  • Falta de concentração ou forma farmacêutica (o paciente leva a dose errada).
  • Quantidade omitida: a farmácia não sabe quanto dispensar.
  • Receituário de tipo errado para a classe do medicamento.
  • Validade vencida no momento da compra.
  • Prescrever sem checar alergias e interações registradas no prontuário.
  • Rasuras ou campos em branco preenchidos depois.

Receita digital: como funciona hoje

A receita digital é a prescrição emitida eletronicamente e assinada com certificado digital ICP-Brasil, com validade jurídica garantida pela Lei 14.063/2020 e disciplinada pela Resolução CFM 2.299/2021. O paciente recebe o documento por link ou PDF, a farmácia valida a assinatura e registra a dispensação, o que elimina a receita de papel, o problema de legibilidade e as fraudes por fotocópia.

Para medicamentos de controle especial, a possibilidade de prescrição eletrônica avançou nos últimos anos, mas as regras da Anvisa sobre formato e validação continuam sendo atualizadas; confira a norma vigente antes de abandonar o talão. O guia de prescrição e receita digital mostra o fluxo completo, e o artigo sobre assinatura digital para médicos explica como obter o certificado.

Venda sob prescrição e tarjas

A tarja na embalagem indica o nível de controle: sem tarja (venda livre), tarja vermelha (venda sob prescrição médica; se trouxer a frase "só pode ser vendido com retenção de receita", exige receita de controle especial) e tarja preta (controlados das listas A e B, com notificação de receita). A farmácia é obrigada a conferir o receituário e, nos casos de retenção, arquivar a via retida.

Prescrição médica na rotina da clínica

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Perguntas frequentes

Receita branca simples (medicamentos sem controle especial), receita branca de controle especial em duas vias (listas C, como antidepressivos e anticonvulsivantes), notificação de receita B azul (psicotrópicos, lista B) e notificação de receita A amarela (entorpecentes e psicotrópicos de maior controle, lista A).

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