Prescrição médica: tipos de receita (branca, azul, amarela), como fazer e validade
Guia da prescrição médica: os tipos de receita (simples, controle especial, azul B e amarela A), o que deve constar, validade, exemplo pronto e como funciona a receita digital.
Prescrição médica é o documento em que o médico (ou outro prescritor habilitado) indica, por escrito, o medicamento, a dose, a via, a frequência e a duração do tratamento de um paciente. Para ser válida, a receita precisa ser legível, identificar prescritor e paciente, trazer data e assinatura e usar o tipo de receituário correto para a classe do medicamento: branca simples, branca de controle especial, azul (B) ou amarela (A).
Este guia explica cada tipo de receita médica, o que deve constar na prescrição de medicamentos, a validade de cada receituário, um exemplo de prescrição pronto e como a receita digital funciona hoje.
O que deve constar em uma prescrição médica
A Lei 5.991/1973 exige que a receita seja escrita de forma legível, com nome e endereço do paciente, modo de usar, data e assinatura do prescritor. Na prática, o conteúdo mínimo de uma boa prescrição é:
- Cabeçalho: nome do médico, CRM/UF, especialidade, endereço e telefone do consultório (ou os dados da clínica).
- Paciente: nome completo e endereço; data de nascimento e peso são importantes em pediatria.
- Medicamento: nome (de preferência pela denominação genérica), concentração e forma farmacêutica. Exemplo: "Amoxicilina 500 mg, cápsula".
- Quantidade: número de unidades ou caixas, por extenso quando for controlado.
- Modo de uso (posologia): via, dose, intervalo e duração. "Tomar 1 cápsula, por via oral, a cada 8 horas, por 7 dias."
- Data, assinatura e identificação do prescritor; carimbo quando os dados não estão impressos.
Uma receita deve indicar uma prescrição clara por medicamento; não misture orientações não farmacológicas no mesmo bloco. O diagnóstico não é obrigatório na receita, mas quando o médico inclui o código CID, deve ter autorização do paciente, como no atestado.
Tipos de receita médica
A classificação vem da Portaria SVS/MS 344/1998, que organiza os medicamentos sujeitos a controle especial em listas (A, B, C e outras) e define o receituário de cada uma.
| Tipo de receituário | Cor | Para quais medicamentos | Vias e validade |
|---|---|---|---|
| Receita simples | Branca | Medicamentos sem controle especial (tarja vermelha comum e sem tarja) | 1 via; sem prazo federal fixo |
| Receita de antimicrobianos | Branca | Antibióticos e demais antimicrobianos de uso sob prescrição | 2 vias; 10 dias |
| Receita de controle especial | Branca | Listas C1 (antidepressivos, anticonvulsivantes, antipsicóticos, entre outros) e C5 (anabolizantes) | 2 vias; 30 dias |
| Notificação de receita B | Azul | Lista B1 (psicotrópicos, como benzodiazepínicos) e B2 (anorexígenos) | Formulário numerado; 30 dias |
| Notificação de receita A | Amarela | Listas A1 e A2 (entorpecentes, como opioides fortes) e A3 (psicotrópicos de maior controle) | Formulário numerado; 30 dias |
| Notificação de receita especial | Branca | Retinoides de uso sistêmico (C2) e talidomida (C3), com termos de consentimento próprios | Formulário específico; prazos próprios |
Receita branca simples
É a receita do dia a dia: analgésicos comuns, anti-hipertensivos, antidiabéticos orais, anticoncepcionais. Pode ser impressa, manuscrita ou digital. A farmácia retém apenas quando há exigência específica (antimicrobianos, por exemplo).
Receita branca de controle especial
Vale para a maior parte dos psicofármacos usados em consultório (antidepressivos, estabilizadores de humor, anticonvulsivantes). Emitida em duas vias: a primeira fica retida na farmácia, a segunda volta ao paciente. Validade de 30 dias e quantidade limitada ao tratamento previsto na norma.
Receita azul (B)
A notificação de receita B, de cor azul, é usada para psicotrópicos da lista B, como benzodiazepínicos e hipnóticos. O talão numerado é de responsabilidade do prescritor e vinculado à vigilância sanitária local. Deve acompanhar uma receita comum com as orientações de uso.
Receita amarela (A)
A notificação de receita A, amarela, é destinada a entorpecentes e psicotrópicos de controle mais rígido, como morfina e metilfenidato. O talão é fornecido pela vigilância sanitária, numerado e nominal ao prescritor, com limite de quantidade por notificação.
Receituário verde existe?
Não como tipo previsto na norma federal. A Portaria 344 trabalha com amarela, azul e branca. Quando aparece um "receituário verde", trata-se de modelo institucional, de programa estadual ou de outra profissão regulamentada, não de uma categoria de medicamento controlado.
Exemplo de prescrição médica
Dr(a). [Nome] — CRM [UF] [número] — [Especialidade] — [Clínica, endereço, telefone]
Paciente: [Nome completo] — [Endereço] — Data de nascimento: [DD/MM/AAAA]
Uso oral
1) Amoxicilina 500 mg, cápsula — 21 cápsulas. Tomar 1 cápsula, por via oral, a cada 8 horas, por 7 dias.
2) Dipirona 500 mg, comprimido — 10 comprimidos. Tomar 1 comprimido, por via oral, a cada 6 horas, se dor ou febre, por até 3 dias.
[Cidade], [DD/MM/AAAA]. [Assinatura e carimbo ou assinatura digital ICP-Brasil]
O exemplo é ilustrativo e não substitui a avaliação clínica de cada caso. O ponto é a estrutura: um item por medicamento, quantidade total, modo de uso completo e duração.
Erros que invalidam ou atrapalham a receita
- Letra ilegível ou abreviações ambíguas ("1 cp 8/8h s/n").
- Falta de concentração ou forma farmacêutica (o paciente leva a dose errada).
- Quantidade omitida: a farmácia não sabe quanto dispensar.
- Receituário de tipo errado para a classe do medicamento.
- Validade vencida no momento da compra.
- Prescrever sem checar alergias e interações registradas no prontuário.
- Rasuras ou campos em branco preenchidos depois.
Receita digital: como funciona hoje
A receita digital é a prescrição emitida eletronicamente e assinada com certificado digital ICP-Brasil, com validade jurídica garantida pela Lei 14.063/2020 e disciplinada pela Resolução CFM 2.299/2021. O paciente recebe o documento por link ou PDF, a farmácia valida a assinatura e registra a dispensação, o que elimina a receita de papel, o problema de legibilidade e as fraudes por fotocópia.
Para medicamentos de controle especial, a possibilidade de prescrição eletrônica avançou nos últimos anos, mas as regras da Anvisa sobre formato e validação continuam sendo atualizadas; confira a norma vigente antes de abandonar o talão. O guia de prescrição e receita digital mostra o fluxo completo, e o artigo sobre assinatura digital para médicos explica como obter o certificado.
Venda sob prescrição e tarjas
A tarja na embalagem indica o nível de controle: sem tarja (venda livre), tarja vermelha (venda sob prescrição médica; se trouxer a frase "só pode ser vendido com retenção de receita", exige receita de controle especial) e tarja preta (controlados das listas A e B, com notificação de receita). A farmácia é obrigada a conferir o receituário e, nos casos de retenção, arquivar a via retida.
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