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Saúde · 12 min de leitura

SAE na enfermagem: o que é, as 5 etapas do processo de enfermagem e exemplo pronto (Resolução Cofen 736/2024)

O que é a SAE na enfermagem, a diferença para o processo de enfermagem depois da Resolução Cofen 736/2024, as 5 etapas atualizadas, quem faz cada uma e um exemplo de SAE pronto para adaptar ao prontuário.

OD
Equipe OnDoctor
Sistema para clínicas e consultórios
SAE na enfermagem: o que é, as 5 etapas do processo de enfermagem e exemplo pronto (Resolução Cofen 736/2024)

A SAE (sistematização da assistência de enfermagem) é a organização do trabalho da enfermagem num serviço: o método adotado, a equipe e os instrumentos que permitem aplicar o processo de enfermagem a cada paciente. O processo de enfermagem é esse método clínico em ação, com cinco etapas definidas pela Resolução Cofen 736/2024: avaliação, diagnóstico, planejamento, implementação e evolução de enfermagem.

Abaixo você vê a diferença entre SAE e processo de enfermagem, o que mudou em relação à antiga Resolução 358/2009, o que se faz e se registra em cada etapa, quem faz o quê, as linguagens padronizadas, um exemplo de SAE pronto e como implantar a sistematização na clínica ou no consultório de enfermagem. Normas conferidas em outubro de 2026.

O que é SAE na enfermagem

A definição mais citada vem da Resolução Cofen 358/2009, hoje revogada: a sistematização da assistência de enfermagem organiza o trabalho profissional quanto ao método, pessoal e instrumentos, e assim torna possível operacionalizar o processo de enfermagem. A SAE não é um formulário. É a estrutura que o serviço monta para que toda a equipe planeje e registre o cuidado do mesmo jeito:

  • Método: o referencial teórico, a linguagem padronizada ou os protocolos que orientam o raciocínio clínico;
  • Pessoal: o dimensionamento da equipe, a divisão de atribuições entre enfermeiro, técnico e auxiliar e a capacitação;
  • Instrumentos: impressos ou campos do prontuário eletrônico, protocolos, procedimentos operacionais padrão, normas e rotinas.

SAE e processo de enfermagem: qual a diferença

Durante anos, os dois termos foram usados como sinônimos, e não por acaso: a própria 358/2009 tratava, no título, da SAE e do processo de enfermagem. Muita gente ainda chama de "SAE" a folha ou a tela onde o enfermeiro registra histórico, diagnósticos e prescrição.

A Resolução Cofen 736/2024, publicada em 23 de janeiro de 2024, revogou a 358/2009 e trata só do processo de enfermagem; o texto não define SAE. Segundo o Cofen, ao divulgar a norma, ela faz uma diferenciação conceitual: a SAE diz respeito aos aspectos organizativos e gerenciais do serviço, e o processo de enfermagem é o método que orienta o cuidado de cada pessoa.

Daí as buscas por "SAE atualizada" ou "SAE 2024": o que mudou foi o processo de enfermagem, com novos nomes de etapas e regras mais claras sobre quem faz e quem registra cada parte.

O que mudou da Resolução 358/2009 para a 736/2024

EtapaRes. Cofen 358/2009 (revogada)Res. Cofen 736/2024 (vigente)
1ªColeta de dados de enfermagem (ou histórico de enfermagem)Avaliação de enfermagem
2ªDiagnóstico de enfermagemDiagnóstico de enfermagem
3ªPlanejamento de enfermagemPlanejamento de enfermagem
4ªImplementaçãoImplementação de enfermagem
5ªAvaliação de enfermagemEvolução de enfermagem

Atenção à palavra "avaliação": na norma antiga, era a última etapa; na atual, é a primeira. A 736/2024 também prevê o planejamento compartilhado com a pessoa e a equipe, inclui a checagem da prescrição, define o papel de técnicos e auxiliares e manda organizar e registrar a consulta de enfermagem pelas etapas do processo (art. 5º).

As 5 etapas da SAE (processo de enfermagem) pela Resolução 736/2024

O art. 4º descreve as etapas como inter-relacionadas, interdependentes, recorrentes e cíclicas: a evolução de hoje alimenta a avaliação de amanhã.

1. Avaliação de enfermagem

É a coleta de dados subjetivos, pela entrevista, e objetivos, pelo exame físico, no início e ao longo do cuidado, com apoio de exames, escalas validadas e protocolos. O roteiro de entrevista e um modelo de ficha estão no artigo sobre anamnese de enfermagem; a técnica de inspeção, palpação, percussão e ausculta está no guia de exame físico. Registre o relato do paciente, os dados medidos com valores exatos e a fonte da informação.

2. Diagnóstico de enfermagem

É o julgamento clínico sobre os dados coletados. A resolução prevê três tipos de achado: problemas existentes, vulnerabilidades (riscos) e disposições para melhorar comportamentos de saúde. Ele não repete o diagnóstico médico: o diabetes é do médico; o jeito como a pessoa cuida dos pés com diabetes é da enfermagem. Registre cada diagnóstico e os dados que o sustentam.

3. Planejamento de enfermagem

É o plano assistencial, compartilhado com a pessoa e com a equipe. Tem três partes: priorizar os diagnósticos, definir resultados esperados exequíveis (quantitativos, qualitativos ou ambos) e declarar a decisão terapêutica na prescrição de enfermagem. Bons resultados esperados têm prazo e podem ser medidos (veja plano terapêutico e metas SMART). Na prescrição, escreva o quê, como, com que frequência e quem faz.

4. Implementação de enfermagem

É a execução das intervenções pela equipe, respeitando a competência de cada profissional, com checagem da prescrição. A resolução separa três padrões de cuidado: autônomos do enfermeiro, interprofissionais e de programas de saúde, guiados por protocolos. Registre o que foi feito, quando, por quem e as intercorrências.

5. Evolução de enfermagem

É a avaliação dos resultados alcançados e o momento de revisar todo o processo: manter, mudar ou encerrar diagnósticos, metas e prescrições. Registre a comparação com o resultado esperado e a decisão tomada. As recomendações de registro do Cofen separam a anotação, feita pela equipe com dados pontuais, da evolução, privativa do enfermeiro, que analisa os dados. Modelos por setor estão no artigo sobre evolução de enfermagem.

Quem faz o quê na SAE: enfermeiro, técnico e auxiliar

  • Enfermeiro: conduz e registra todas as etapas (art. 8º). Diagnóstico e prescrição de enfermagem são privativos dele (art. 6º), com base na Lei 7.498/1986, que também lhe reserva a consulta de enfermagem (art. 11, I).
  • Técnico e auxiliar de enfermagem: participam com anotações de enfermagem, execução dos cuidados prescritos e checagem, sob supervisão do enfermeiro (art. 7º). Não diagnosticam nem prescrevem.

No consultório com um só enfermeiro, ele faz as cinco etapas e todos os registros. Com equipe, deixe escrito na rotina quem faz cada passo.

Linguagens padronizadas: NANDA-I, NIC, NOC e CIPE

A 736/2024 pede suporte teórico para o processo de enfermagem (art. 2º): teorias e modelos de cuidado, linguagens padronizadas, instrumentos validados de avaliação de risco e protocolos baseados em evidência. Diagnósticos, resultados e intervenções podem se apoiar nessas linguagens ou em protocolos institucionais (art. 3º). No Brasil, são referenciais comuns a Teoria das Necessidades Humanas Básicas, de Wanda Horta, e a Teoria do Autocuidado, de Dorothea Orem. As linguagens padronizadas mais usadas são:

  • NANDA-I (NANDA International): classificação de diagnósticos de enfermagem;
  • NIC (Nursing Interventions Classification): classificação de intervenções;
  • NOC (Nursing Outcomes Classification): classificação de resultados e indicadores;
  • CIPE (Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem, em inglês ICNP), do Conselho Internacional de Enfermeiros: reúne diagnósticos, resultados e intervenções num mesmo sistema.

São publicações protegidas e revisadas periodicamente. Se adotar uma delas, use os títulos exatamente como estão na edição que a equipe tem. Nos exemplos abaixo, os diagnósticos foram redigidos com palavras próprias, como num serviço com protocolo institucional.

Exemplo de SAE pronto: o processo de enfermagem aplicado

Pacientes e profissionais são fictícios; os exemplos servem como estrutura, não como texto para copiar sem adaptar. Em vez de procurar uma SAE em PDF, copie o modelo para o prontuário e troque os dados pelos do paciente real.

Exemplo 1: consulta de enfermagem a adulto com diabetes tipo 2 e fissura no calcanhar

Consulta de enfermagem. 14/10/2026, 09h10. Paciente J. F. M., 58 anos. Informantes: o próprio paciente e a esposa. Referencial: necessidades humanas básicas.

1. Avaliação de enfermagem. Diabetes tipo 2 há 9 anos, em uso de metformina conforme prescrição médica. Refere "rachadura no calcanhar direito" há 10 dias, com dor 2/10 ao caminhar. Anda descalço em casa, não examina os pés e não usa hidratante. Mora com a esposa, que se oferece para ajudar. PA 132/84 mmHg, FC 78 bpm, glicemia capilar 186 mg/dL duas horas após o café da manhã. Pele seca em plantas e calcanhares. Fissura linear de 1,5 cm no calcanhar direito, sem secreção e sem hiperemia ao redor. Sensibilidade protetora presente ao monofilamento de 10 g nos pontos testados. Pulsos pediosos e tibiais posteriores palpáveis bilateralmente.

2. Diagnóstico de enfermagem. (a) Fissura na pele do calcanhar direito, associada a pele ressecada e ao hábito de andar descalço. (b) Vulnerabilidade a infecção da fissura, pelo diabetes e pela pele lesada. (c) Cuidado diário com os pés insuficiente: não inspeciona, não hidrata e anda descalço. (d) Paciente e esposa dispostos a aprender o cuidado com os pés.

3. Planejamento de enfermagem. Prioridades: (a), (b) e (c). Resultados esperados, combinados com o paciente: fissura fechada e sem sinais de infecção em até 14 dias; uso de calçado fechado com meia dentro de casa todos os dias, a partir de hoje; no retorno, demonstrar a inspeção dos pés com espelho e citar três cuidados diários.

Prescrição de enfermagem: limpar a fissura conforme o protocolo de feridas da unidade; orientar lavar e secar bem os pés, inclusive entre os dedos; hidratar plantas e calcanhares após o banho, sem passar creme entre os dedos; treinar paciente e esposa na inspeção diária dos pés; entregar orientações por escrito; comunicar a glicemia ao médico assistente; retorno de enfermagem em 7 dias.

4. Implementação de enfermagem. Fissura limpa com SF 0,9%, conforme protocolo. Orientações feitas ao paciente e à esposa, com demonstração da inspeção com espelho; o paciente repetiu a técnica corretamente. Entregue folheto de cuidados com os pés. Glicemia comunicada ao médico assistente, que manteve a consulta já agendada. Retorno de enfermagem marcado para 21/10/2026.

5. Evolução de enfermagem (21/10/2026, 09h00). Refere usar calçado fechado com meia em casa e hidratar os pés todos os dias; a esposa faz a inspeção à noite. Fissura com 0,5 cm, bordas aproximadas, sem secreção ou hiperemia. Pele dos calcanhares menos ressecada. Demonstra a inspeção com espelho e cita quatro cuidados. Resultados de calçado e de autocuidado alcançados; fechamento da fissura em andamento, dentro do prazo. Diagnóstico (c) resolvido; mantidos (a) e (b). Plano: manter a prescrição e reavaliar em 7 dias.

Enf. Beltrana Souza, Coren-UF 000000-ENF

As orientações de autocuidado e a avaliação dos pés (monofilamento de 10 g, pulsos pediosos e tibiais posteriores) seguem o Manual do Pé Diabético do Ministério da Saúde (2016). Repare que cada resultado esperado tem prazo e que a evolução responde a eles um por um.

Exemplo 2: internação em clínica médica (resumido)

Clínica médica, leito 12. 15/10/2026, 08h00. Paciente M. A. S., 79 anos, internada por pneumonia.

1. Avaliação de enfermagem. Sonolenta de dia e confusa à noite, segundo a filha. Caminha com andador. Classificada como alto risco de queda pela escala adotada na instituição.

2. Diagnóstico de enfermagem. Vulnerabilidade a queda, associada à confusão noturna, à idade e à marcha com andador.

3. Planejamento de enfermagem. Resultado esperado: nenhuma queda durante a internação. Prescrição: aplicar as medidas do protocolo de prevenção de quedas da instituição; manter a campainha ao alcance; acompanhar a paciente sempre que levantar; orientar a filha a chamar a equipe antes de a paciente sair do leito.

4. Implementação de enfermagem. Cuidados executados e checados na prescrição pela técnica de enfermagem, com anotação: 16/10/2026, 02h30. Paciente acordou confusa, pedindo para ir ao banheiro. Acompanhada com andador. Retornou ao leito sem intercorrências. Téc. Enf. Fulana Lima, Coren-UF 000000-TE.

5. Evolução de enfermagem (16/10/2026, 08h00). Sem quedas nas últimas 24 h. Mantém confusão noturna. Resultado alcançado no período; diagnóstico e prescrição mantidos.

Enf. Beltrana Souza, Coren-UF 000000-ENF

Aqui aparece a divisão de papéis: a técnica executa, checa e anota; a enfermeira diagnostica, prescreve e evolui. A prevenção de quedas também faz parte das metas de segurança do paciente.

Como fazer a SAE na clínica ou no consultório de enfermagem

  1. Conheça o serviço: perfil dos pacientes, tipos de atendimento, equipe e o que já se registra hoje.
  2. Escolha o referencial: a teoria que orienta a coleta e a linguagem padronizada ou os protocolos para diagnosticar e prescrever.
  3. Padronize os instrumentos: avaliação (histórico e exame físico), diagnóstico, prescrição, anotação e checagem, evolução. Na consulta de enfermagem, organize o formulário pelas cinco etapas (art. 5º).
  4. Defina papéis e fluxos: quem avalia na admissão, a cada quanto tempo o enfermeiro evolui, como técnicos e auxiliares checam e anotam.
  5. Treine a equipe: a resolução pede capacitação no processo de enfermagem (art. 9º). Use casos reais do serviço.
  6. Registre e audite: revise amostras de prontuários para ver se as cinco etapas aparecem e se a evolução responde às metas.
  7. Revise os protocolos quando a evidência ou a norma mudar.

No consultório de enfermagem, o roteiro é o mesmo em escala menor: modelo de consulta com as cinco etapas, retorno marcado para a evolução e registro assinado a cada atendimento.

Registro da SAE no prontuário

O processo de enfermagem é documentado no prontuário, físico ou eletrônico (art. 8º da 736/2024). O Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (Resolução Cofen 564/2017) pede registro claro, objetivo, cronológico, legível, completo e sem rasuras (art. 36), documentação das etapas conforme a competência legal de cada um (art. 37) e identificação com nome, categoria e número do Coren, com assinatura (art. 35). Também proíbe registrar informação incompleta ou inverídica e assinar ação que não executou.

No prontuário eletrônico, vale a Resolução Cofen 754/2024: o prontuário 100% digital exige certificado ICP-Brasil ou login e senha individuais e intransferíveis; sem isso, o registro é impresso e assinado. Quando a instituição adota o prontuário eletrônico, o profissional não precisa comprar certificado; o enfermeiro autônomo, sim.

Na atenção primária, o Parecer Conjunto 004/2022 do Cofen, citado na 736/2024, aponta o método SOAP como compatível com o processo de enfermagem. O registro segue o prazo de guarda do prontuário: no mínimo 20 anos após o último registro (Lei 13.787/2018).

A SAE no dia a dia da clínica

A sistematização funciona quando o instrumento está pronto na hora do atendimento. No OnDoctor, o prontuário personalizado permite criar abas e campos próprios, como uma aba para cada etapa do processo de enfermagem, com texto curto, texto longo, lista de opções, múltipla escolha e data. O modelo pode ser compartilhado para outros profissionais copiarem, e abas de modelos personalizados podem ser adicionadas durante o atendimento. A anamnese pode ser enviada ao paciente para preencher pelo celular antes da consulta, o Gravar voz transcreve o áudio nos campos de texto longo e o prontuário pode ser assinado pelo profissional e também pelo paciente.

Normas mudam. Confira sempre o texto vigente no site do Cofen e do Coren do seu estado.

Perguntas frequentes

SAE é a sigla de sistematização da assistência de enfermagem: a organização do trabalho da enfermagem quanto a método, pessoal e instrumentos, que torna possível aplicar o processo de enfermagem a cada paciente. Inclui referencial teórico, protocolos, impressos ou campos do prontuário, rotinas e a divisão de tarefas da equipe.

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