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Saúde · 5 min de leitura

HPP (história patológica pregressa): o que é, o que perguntar e exemplo na anamnese

O que significa pregressa, o que é a HPP na anamnese, a diferença entre HDA, HPP, HMA, HF e HS, o que perguntar ao paciente, exemplo de HPP escrita e erros comuns.

OD
Equipe OnDoctor
Sistema para clínicas e consultórios
HPP (história patológica pregressa): o que é, o que perguntar e exemplo na anamnese

HPP é a sigla de história patológica pregressa: a parte da anamnese que registra tudo o que o paciente já teve de relevante para a saúde antes da consulta atual, como doenças, cirurgias, internações, alergias, medicamentos de uso contínuo e acidentes. "Pregressa" significa anterior, passada. É o campo que responde à pergunta "o que esse paciente já viveu de saúde até hoje?".

Este artigo explica o que é HPP, como ela se diferencia das outras siglas da anamnese (HDA, HMA, HF, HS), o que perguntar, como escrever e quais erros tornam o registro inútil.

Pregressa: significado e por que a HPP importa

Pregressa vem do latim e significa "que ocorreu antes". A história patológica pregressa é, portanto, a história das doenças anteriores. Pode parecer uma formalidade em uma consulta por dor de garganta, mas é a HPP que revela a alergia a penicilina antes da prescrição, a cirurgia bariátrica que muda a absorção de um medicamento, o infarto prévio que transforma uma queixa vaga em urgência e a asma que contraindica um betabloqueador.

Em outras palavras: a HPP é a parte da anamnese que protege o paciente das decisões tomadas sem contexto. Quem quer rever a estrutura completa da entrevista pode começar por tudo sobre anamnese.

Siglas da anamnese: HDA, HMA, HPP, HF e HS

A anamnese clássica tem blocos com siglas que confundem quem está começando. O quadro abaixo organiza as mais usadas:

SiglaNomeO que registra
IDIdentificaçãoNome, idade, sexo, profissão, procedência, estado civil
QPQueixa principalO motivo da consulta, nas palavras do paciente, com duração
HDA ou HMAHistória da doença (ou moléstia) atualInício, evolução, características e fatores da queixa de hoje
HPP ou APHistória patológica pregressa / antecedentes pessoaisDoenças, cirurgias, internações, alergias, medicamentos, traumas, vacinas
HF ou AFHistória (antecedentes) familiarDoenças em pais, irmãos, filhos e avós: cardiovasculares, câncer, diabetes, doenças hereditárias
HS ou HPSHistória social / pessoal e socialHábitos, tabagismo, álcool, outras substâncias, atividade física, sono, moradia, trabalho
ISDA ou RSInterrogatório sintomatológico / revisão de sistemasSintomas por aparelho, mesmo não relacionados à queixa

Vale lembrar: "história da doença pregressa" é uma mistura comum das duas siglas. O correto é história da doença atual (HDA) e história patológica pregressa (HPP). Outras abreviações e termos de uso diário estão em terminologias médicas.

O que perguntar na HPP

Um roteiro completo cobre dez grupos. Em consultas rápidas, os quatro primeiros são o mínimo.

  1. Alergias: a medicamentos (qual, que reação, quando), alimentos, látex, contraste iodado, picadas de inseto. Registre também "nega alergias conhecidas" quando for o caso.
  2. Medicamentos em uso: nome, dose, horário, há quanto tempo, quem prescreveu. Incluir fitoterápicos, suplementos, anticoncepcional e automedicação.
  3. Doenças crônicas e prévias: hipertensão, diabetes, asma, DPOC, doença renal, hepatite, tuberculose, doenças cardíacas, tireoide, epilepsia, transtornos psiquiátricos, câncer. Para cada uma: desde quando, como está controlada, quem acompanha.
  4. Cirurgias e procedimentos: qual, quando, onde, complicações, anestesia (reações anestésicas prévias importam muito para procedimentos futuros).
  5. Internações: motivo, data, duração, necessidade de UTI.
  6. Transfusões: quando e se houve reação.
  7. Acidentes e traumas: fraturas, traumatismo craniano, queimaduras, acidentes de trabalho.
  8. Vacinação: conforme a idade, esquema básico, tétano, hepatite B, influenza, pneumocócica, HPV, covid-19. Pergunte sobre o cartão e registre o que foi verificado.
  9. Doenças da infância: sarampo, varicela, caxumba, febre reumática, convulsão febril.
  10. História específica por especialidade: ginecológica e obstétrica (menarca, ciclos, gestações, partos, abortos, métodos contraceptivos), odontológica (tratamentos, extrações, sangramento), psiquiátrica (internações, tentativas de suicídio, tratamentos prévios).

Como perguntar sem induzir nem esquecer

  • Comece aberto ("já teve alguma doença importante?") e depois feche com uma lista ("pressão alta? diabetes? asma?"). Muita gente não considera hipertensão "doença".
  • Pergunte sobre medicamentos de outra forma: "o que você toma todo dia?" costuma render mais do que "usa algum remédio?".
  • Alergia merece detalhe: "o que aconteceu quando tomou?" separa alergia verdadeira de intolerância ou efeito colateral.
  • Use referências de tempo que o paciente entende: "antes ou depois do casamento?", "quando seu filho nasceu?".
  • Com acompanhante, confirme com o paciente o que for possível.

Exemplo de HPP escrita

Paciente de 62 anos, consulta em clínica geral:

HPP: Hipertensão arterial sistêmica desde 2014, em uso de losartana 50 mg 1x/dia e hidroclorotiazida 25 mg 1x/dia, acompanhada por cardiologista. Diabetes mellitus tipo 2 diagnosticado em 2019, em uso de metformina 850 mg 2x/dia; última HbA1c 7,4% (03/2026). Colecistectomia videolaparoscópica em 2011, sem intercorrências anestésicas. Internação por pneumonia comunitária em 2022, 5 dias, sem UTI. Nega transfusões. Alergia a dipirona (urticária generalizada, 2008). Nega alergia a penicilina ou contraste. Fratura de rádio distal esquerdo em 2017, tratamento conservador. Vacinação: influenza 2026 e pneumocócica em dia conforme cartão; tétano, última dose 2020. Nega tuberculose, hepatite, doenças da infância relevantes.

Note três características: cada item tem data ou período, cada doença crônica tem medicamento e controle, e os negativos importantes estão escritos. Se precisar codificar os antecedentes no prontuário, a tabela CID-10 com busca ajuda a padronizar (por exemplo, hipertensão essencial é I10 e diabetes tipo 2 é E11).

Erros comuns na HPP

  1. "Nega comorbidades" sem perguntar. A frase só vale se a lista foi percorrida.
  2. Medicamento sem dose ou "usa remédio para pressão" sem o nome.
  3. Alergia sem reação descrita. "Alergia a dipirona" pode ser desde urticária até anafilaxia, e isso muda a conduta.
  4. Sem datas. Uma cirurgia há 30 anos e outra há 3 meses têm pesos muito diferentes.
  5. Copiar a HPP da consulta anterior sem atualizar. O paciente pode ter sido internado ou trocado de medicação desde então.
  6. Misturar HPP com HDA. O episódio de hoje vai na história da doença atual, mesmo que seja uma recorrência de doença antiga; na HPP fica o histórico.
  7. Ignorar a história familiar por achar que está "dentro" da HPP. São campos diferentes.

HPP no prontuário eletrônico

No papel, a HPP é reescrita a cada consulta e, com o tempo, encolhe. No prontuário eletrônico ela vira um cadastro vivo: alergias, medicamentos em uso e doenças crônicas ficam destacados, aparecem em toda consulta e podem gerar alertas na prescrição. A anamnese personalizável do OnDoctor permite montar o roteiro de HPP da sua especialidade, com campos estruturados para alergias e medicamentos e busca de CID dentro do atendimento. Veja em recursos do OnDoctor.

Perguntas frequentes

Pregressa significa anterior, passada, que aconteceu antes. Na anamnese, história patológica pregressa é o conjunto de doenças, cirurgias, internações, alergias, tratamentos e acidentes que o paciente já teve, independentemente da queixa que o trouxe à consulta hoje.

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