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Gestão · 6 min de leitura

Convênio ou particular: o que é convênio médico e como organizar os dois fluxos na clínica

O que é convênio médico, a diferença para o atendimento particular, como a clínica organiza agenda, cadastro, guias e cobrança para cada um, quando vale credenciar e como montar o mix de receita.

OD
Equipe OnDoctor
Sistema para clínicas e consultórios
Convênio ou particular: o que é convênio médico e como organizar os dois fluxos na clínica

Convênio médico é o nome popular do plano de saúde: o paciente paga uma mensalidade a uma operadora e é atendido na rede credenciada sem desembolso direto, enquanto a clínica recebe da operadora por meio de guias e faturamento. No atendimento particular, o paciente paga à clínica, pelo preço da tabela própria, e não há operadora no meio.

A pergunta convênio ou particular não tem uma resposta única, e a maioria das clínicas trabalha com os dois. O que define o resultado é organizar cada fluxo do jeito certo, da agenda à cobrança, e escolher o mix de receita de forma consciente. É disso que trata este artigo.

O que é convênio médico e como ele funciona

O convênio é um contrato entre o paciente (ou a empresa dele) e uma operadora de plano de saúde, regulada pela ANS. A operadora monta uma rede de prestadores credenciados, entre eles clínicas, laboratórios e hospitais, e paga a esses prestadores pelos atendimentos realizados aos beneficiários.

Para a clínica, isso significa três coisas:

  • há um contrato com a operadora definindo tabela de valores, prazos e regras;
  • cada atendimento gera uma guia no padrão TISS, que é o documento de cobrança;
  • o pagamento vem depois, no prazo contratual, sujeito a auditoria e glosa.

Os tipos de plano (individual, coletivo empresarial, coletivo por adesão) e as segmentações (ambulatorial, hospitalar, odontológico) importam para a recepção porque definem o que o paciente tem direito de fazer na clínica.

Tipos de consulta: particular, convênio, reembolso e misto

TipoQuem paga a clínicaQuando recebeDocumento
ParticularPacienteNa hora ou antecipadoRecibo e nota fiscal
ConvênioOperadoraPrazo contratual, após faturamentoGuia TISS
ReembolsoPaciente (que pede ressarcimento à operadora)Na horaRecibo, nota fiscal e relatório para o plano
CoparticipaçãoOperadora + paciente (parte)Operadora no prazo; paciente conforme regra do planoGuia TISS
Procedimento não cobertoPacienteNa horaRecibo e nota fiscal, com termo de ciência

O modelo de reembolso merece atenção porque cresce em clínicas de alto padrão: para a clínica, é atendimento particular, mas o paciente precisa dos documentos certos. Veja gestão de reembolso para clínicas.

Vantagens e desvantagens de cada modelo

Convênio

A favor: volume de pacientes sem investir em marketing, agenda cheia desde o início, previsibilidade de demanda e visibilidade na rede da operadora. Contra: valor por consulta geralmente menor, pagamento a prazo, glosas, trabalho administrativo de guias e autorizações e dependência de poucas operadoras.

Particular

A favor: preço definido pela clínica, recebimento imediato, menos burocracia, relação direta com o paciente e liberdade de tempo de consulta. Contra: precisa gerar demanda própria, sofre mais com no-show e inadimplência, e é mais sensível à concorrência de preço na região.

Como a clínica organiza os dois fluxos

O erro mais comum é tratar convênio e particular como se fossem iguais e descobrir a diferença no caixa. Cada etapa tem um cuidado específico.

1. Agenda

Defina se os horários são misturados ou separados por tipo. Clínicas com muitos convênios costumam reservar blocos para particular em horários de maior procura, para proteger a margem. Registre o tipo de atendimento no agendamento, porque ele muda o que a recepção vai fazer no dia.

2. Cadastro do paciente e do plano

Para convênio, o cadastro precisa de operadora, número da carteirinha, validade, plano e tipo de acomodação. Conferir isso no agendamento, e não no balcão, evita o paciente chegar com plano vencido ou sem cobertura para o procedimento.

3. Elegibilidade e autorização

Antes do atendimento, a recepção confere se o beneficiário está ativo e se o procedimento exige autorização prévia. Procedimento feito sem senha, quando o contrato exige, é glosa certa. Consultas simples geralmente não exigem autorização; exames e procedimentos quase sempre exigem.

4. Guia

Cada atendimento por convênio gera a guia correspondente: consulta, SP/SADT para exames e procedimentos, ou outras do padrão TISS. Código TUSS, CBO do profissional, data e assinatura precisam estar corretos. O modelo está em guia SADT.

5. Cobrança e faturamento

No particular, a cobrança é na hora: cartão, Pix, link de pagamento ou pacote pré-pago. No convênio, as guias são reunidas em lotes e enviadas no prazo do contrato; depois vêm o demonstrativo de pagamento, a conferência de glosas e o recurso. Clínicas que faturam convênio precisam de alguém responsável por esse ciclo, mesmo que em meio período.

6. Conciliação

Receita particular bate com o caixa do dia; receita de convênio bate com o demonstrativo da operadora, atendimento por atendimento. Sem essa conciliação, a clínica não sabe quanto perdeu em glosa nem quanto ainda tem a receber.

Quando vale credenciar (e quando não vale)

Faça a conta antes de assinar com uma operadora:

  1. Custo por atendimento: custos e despesas totais do mês divididos pelo número de atendimentos. Se a operadora paga menos do que isso, cada consulta dá prejuízo, a menos que ocupe horário que ficaria vazio.
  2. Ociosidade: agenda com 40% de horários livres suporta convênio com margem pequena; agenda cheia de particular, não.
  3. Capacidade administrativa: quem vai fazer guias, lotes, recursos de glosa? Se ninguém, o custo vem na forma de receita perdida.
  4. Prazo de pagamento: 30, 60 ou 90 dias impactam o fluxo de caixa; a clínica precisa de reserva para cobrir a espera.
  5. Concentração: uma operadora respondendo por mais de 40% da receita é risco; descredenciamento ou atraso quebra a clínica.

Se a decisão for credenciar, o processo e os documentos estão em como se credenciar em convênio médico. Não se esqueça de que, pela Lei 13.003/2014, o contrato com a operadora deve ser escrito e prever reajuste anual.

Mix de receita: quanto de cada um

Não existe proporção ideal universal, mas existe um método: calcular a margem de cada tipo de atendimento e decidir a partir dela. Uma forma simples:

  • Levante, por tipo (particular, cada convênio), o valor médio recebido por atendimento e o custo por atendimento.
  • Calcule a margem por atendimento de cada um.
  • Multiplique pela quantidade mensal para ver a contribuição real de cada fonte, não só a receita bruta.
  • Decida onde crescer: às vezes trocar um convênio ruim por mais particular aumenta o lucro mesmo reduzindo o faturamento.

Clínicas em início de operação tendem a começar com mais convênio e migrar para um mix mais particular à medida que constroem reputação. Clínicas maduras que mantêm convênio o fazem por volume, por especialidade (algumas dependem de encaminhamento de operadora) ou por estratégia de ocupação.

Convênio e particular no dia a dia da clínica

Os dois fluxos convivem bem quando o sistema sabe, desde o agendamento, qual é o tipo de atendimento e conduz a recepção pelo caminho certo: cobrança e recibo no particular; cadastro do plano, guia TISS e lote no convênio. No OnDoctor, a agenda registra o tipo de atendimento, o cadastro guarda os dados do plano, as guias saem no padrão TISS e o financeiro separa a receita por convênio e particular, com a taxa de glosa visível. Veja em recursos do OnDoctor.

Perguntas frequentes

Convênio médico é o nome popular do plano de saúde: o paciente paga mensalidade a uma operadora e, em troca, tem atendimento na rede credenciada sem pagar diretamente ao prestador. A clínica que atende convênio tem contrato com a operadora e recebe dela, por meio de guias e faturamento.

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