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Saúde · 5 min de leitura

Ficha de avaliação fisioterapêutica: o que deve conter, modelo por seções e escalas mais usadas

Modelo de ficha de avaliação fisioterapêutica por seções, das queixas ao plano de tratamento, com as escalas mais usadas (EVA, goniometria, força muscular) e como fazer a reavaliação.

OD
Equipe OnDoctor
Sistema para clínicas e consultórios
Ficha de avaliação fisioterapêutica: o que deve conter, modelo por seções e escalas mais usadas

A ficha de avaliação fisioterapêutica é o documento em que o fisioterapeuta registra a avaliação inicial do paciente: queixa, história, exame físico, testes funcionais, diagnóstico fisioterapêutico e plano de tratamento. É ela que define as metas do tratamento e serve de linha de base para provar, nas reavaliações, que o paciente melhorou.

Abaixo, um modelo de ficha por seções, as escalas mais usadas na avaliação fisioterapêutica, como montar o plano de tratamento fisioterapêutico e quando reavaliar.

Para que serve a avaliação fisioterapêutica

A avaliação fisioterapêutica não é burocracia de primeira sessão. Ela responde a quatro perguntas que orientam todo o tratamento:

  • O que o paciente não consegue fazer hoje e o que ele quer voltar a fazer.
  • Qual estrutura ou função está comprometida e em que grau.
  • Quais condutas fazem sentido para esse quadro.
  • Como medir o resultado ao longo das sessões.

Uma ficha bem preenchida também protege o profissional em auditorias de convênio e em questionamentos éticos, porque mostra o raciocínio clínico por trás de cada conduta. O registro em prontuário é dever do fisioterapeuta pelas normas do COFFITO, e o prontuário eletrônico tem validade legal pela Lei 13.787/2018.

Modelo de ficha de avaliação fisioterapêutica por seções

O modelo abaixo serve para ortopedia e traumatologia, com campos que se adaptam a neurologia, respiratória, pediatria e geriatria. Use-o como roteiro no sistema ou como ficha de avaliação de fisioterapia para imprimir.

SeçãoO que registrar
1. IdentificaçãoNome, data de nascimento, sexo, profissão, contato, convênio, médico que encaminhou e diagnóstico médico, com o código da CID-10 quando houver
2. Queixa principalO que levou o paciente à fisioterapia, nas palavras dele
3. História da doença atualInício, mecanismo de lesão, evolução, fatores de piora e melhora, tratamentos anteriores
4. AntecedentesDoenças prévias, cirurgias, medicações em uso, alergias, histórico familiar relevante
5. Hábitos e contextoAtividade física, sono, ergonomia no trabalho, tabagismo, rotina e objetivos do paciente
6. Exames complementaresLaudos de imagem e outros exames trazidos pelo paciente
7. Inspeção e palpaçãoPostura, edema, cicatrizes, trofismo, pontos dolorosos, temperatura
8. DorLocalização, tipo, intensidade (EVA 0 a 10), irradiação e horário
9. Amplitude de movimentoGoniometria ativa e passiva dos segmentos envolvidos, comparando com o lado não afetado
10. Força muscularGrau de 0 a 5 por grupo muscular ou dinamometria
11. Testes especiaisTestes ortopédicos ou neurológicos indicados para a hipótese clínica
12. Avaliação funcionalMarcha, equilíbrio, transferências, atividades de vida diária e questionários específicos
13. Diagnóstico fisioterapêuticoDiagnóstico cinesiológico funcional: o que está alterado e qual o impacto na função
14. ObjetivosMetas de curto e longo prazo, mensuráveis
15. Plano de tratamentoCondutas, frequência, número estimado de sessões e orientações domiciliares
16. AssinaturaNome do fisioterapeuta, número do CREFITO, data e assinatura

A parte de queixa e história segue a mesma lógica da anamnese médica; veja o guia sobre como fazer anamnese.

Escalas e medidas mais usadas

Dor: Escala Visual Analógica (EVA) e escala numérica

O paciente indica a intensidade da dor de 0 (sem dor) a 10 (pior dor imaginável). É rápida, entra em toda sessão e mostra tendência ao longo do tratamento. Registre também em que situação a dor foi medida (repouso, movimento, ao acordar).

Amplitude de movimento: goniometria

O goniômetro mede em graus a amplitude articular ativa e passiva. Anote a posição do paciente e compare com o lado contralateral. Medidas feitas sempre na mesma posição são as que permitem comparar na reavaliação.

Força muscular: escala de 0 a 5

GrauDescrição
0Nenhuma contração
1Contração visível ou palpável, sem movimento
2Movimento completo sem ação da gravidade
3Movimento completo contra a gravidade
4Movimento contra alguma resistência
5Força normal contra resistência plena

Outras medidas conforme o caso

  • Equilíbrio e risco de queda: Escala de Equilíbrio de Berg e teste Timed Up and Go, comuns em geriatria e neurologia.
  • Funcionalidade: Índice de Barthel para atividades de vida diária.
  • Coluna: questionários de incapacidade como o Oswestry, úteis em dorsalgias (M54 na CID-10).
  • Edema: perimetria com fita métrica em pontos padronizados.

Plano de tratamento fisioterapêutico

O plano de tratamento fisioterapêutico traduz a avaliação em ação. Um bom plano tem:

  1. Objetivos mensuráveis: "flexão de joelho de 90° para 120° em 6 semanas" é melhor que "ganhar amplitude".
  2. Condutas ligadas a cada objetivo: cinesioterapia, terapia manual, eletroterapia, treino funcional.
  3. Frequência e duração: sessões por semana e número estimado de sessões até a reavaliação.
  4. Orientações domiciliares: exercícios e cuidados entre as sessões.
  5. Critérios de alta: o que o paciente precisa alcançar para encerrar o tratamento.

Reavaliação: como e quando fazer

A reavaliação repete os mesmos testes da avaliação inicial, nas mesmas condições, para comparar resultados. Os momentos mais comuns são:

  • Ao fim de um ciclo de sessões previsto no plano.
  • Quando o paciente atinge uma meta ou não evolui como esperado.
  • Quando surge fato novo, como queda, nova lesão ou mudança de medicação.
  • Quando o convênio exige relatório para renovar a autorização de sessões.

Registre os valores lado a lado (inicial e atual). Uma tabela simples com EVA, graus de amplitude e força facilita mostrar o progresso ao paciente e ao médico que encaminhou.

Um exemplo de registro de reavaliação de joelho após 10 sessões: dor ao subir escadas de 7 para 3 na EVA, flexão ativa de 95° para 125°, força de quadríceps de grau 3 para grau 4 e retorno à caminhada de 30 minutos sem dor. Com esses números, fica claro se o plano deve continuar, mudar de foco ou caminhar para a alta. Se o paciente não evoluiu, a reavaliação também é o momento de rever a hipótese e, se for o caso, conversar com o médico assistente.

Ficha de avaliação em papel ou no sistema

A ficha impressa funciona, mas tem limites: é difícil comparar avaliações, a letra nem sempre ajuda e o arquivo precisa ser guardado pelo prazo legal (veja o prazo de guarda do prontuário). No sistema, a ficha vira um modelo de anamnese que se preenche no atendimento, as evoluções ficam na mesma linha do tempo e a reavaliação fica a um clique da avaliação inicial.

Ficha de avaliação fisioterapêutica na rotina da clínica

Clínicas de fisioterapia ganham tempo quando a ficha de avaliação, as evoluções de cada sessão, a agenda e o faturamento do convênio ficam no mesmo lugar. No OnDoctor, a anamnese é personalizável, então a clínica monta a própria ficha de avaliação fisioterapêutica por área de atuação e usa nos atendimentos. Veja como funciona o sistema para clínica de fisioterapia.

Perguntas frequentes

É o documento em que o fisioterapeuta registra a primeira avaliação do paciente: queixa, história clínica, exame físico e funcional, testes, diagnóstico cinesiológico funcional e plano de tratamento. Ela faz parte do prontuário e serve de base para medir a evolução nas reavaliações.

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