Ficha de avaliação fisioterapêutica: o que deve conter, modelo por seções e escalas mais usadas
Modelo de ficha de avaliação fisioterapêutica por seções, das queixas ao plano de tratamento, com as escalas mais usadas (EVA, goniometria, força muscular) e como fazer a reavaliação.
A ficha de avaliação fisioterapêutica é o documento em que o fisioterapeuta registra a avaliação inicial do paciente: queixa, história, exame físico, testes funcionais, diagnóstico fisioterapêutico e plano de tratamento. É ela que define as metas do tratamento e serve de linha de base para provar, nas reavaliações, que o paciente melhorou.
Abaixo, um modelo de ficha por seções, as escalas mais usadas na avaliação fisioterapêutica, como montar o plano de tratamento fisioterapêutico e quando reavaliar.
Para que serve a avaliação fisioterapêutica
A avaliação fisioterapêutica não é burocracia de primeira sessão. Ela responde a quatro perguntas que orientam todo o tratamento:
- O que o paciente não consegue fazer hoje e o que ele quer voltar a fazer.
- Qual estrutura ou função está comprometida e em que grau.
- Quais condutas fazem sentido para esse quadro.
- Como medir o resultado ao longo das sessões.
Uma ficha bem preenchida também protege o profissional em auditorias de convênio e em questionamentos éticos, porque mostra o raciocínio clínico por trás de cada conduta. O registro em prontuário é dever do fisioterapeuta pelas normas do COFFITO, e o prontuário eletrônico tem validade legal pela Lei 13.787/2018.
Modelo de ficha de avaliação fisioterapêutica por seções
O modelo abaixo serve para ortopedia e traumatologia, com campos que se adaptam a neurologia, respiratória, pediatria e geriatria. Use-o como roteiro no sistema ou como ficha de avaliação de fisioterapia para imprimir.
| Seção | O que registrar |
|---|---|
| 1. Identificação | Nome, data de nascimento, sexo, profissão, contato, convênio, médico que encaminhou e diagnóstico médico, com o código da CID-10 quando houver |
| 2. Queixa principal | O que levou o paciente à fisioterapia, nas palavras dele |
| 3. História da doença atual | Início, mecanismo de lesão, evolução, fatores de piora e melhora, tratamentos anteriores |
| 4. Antecedentes | Doenças prévias, cirurgias, medicações em uso, alergias, histórico familiar relevante |
| 5. Hábitos e contexto | Atividade física, sono, ergonomia no trabalho, tabagismo, rotina e objetivos do paciente |
| 6. Exames complementares | Laudos de imagem e outros exames trazidos pelo paciente |
| 7. Inspeção e palpação | Postura, edema, cicatrizes, trofismo, pontos dolorosos, temperatura |
| 8. Dor | Localização, tipo, intensidade (EVA 0 a 10), irradiação e horário |
| 9. Amplitude de movimento | Goniometria ativa e passiva dos segmentos envolvidos, comparando com o lado não afetado |
| 10. Força muscular | Grau de 0 a 5 por grupo muscular ou dinamometria |
| 11. Testes especiais | Testes ortopédicos ou neurológicos indicados para a hipótese clínica |
| 12. Avaliação funcional | Marcha, equilíbrio, transferências, atividades de vida diária e questionários específicos |
| 13. Diagnóstico fisioterapêutico | Diagnóstico cinesiológico funcional: o que está alterado e qual o impacto na função |
| 14. Objetivos | Metas de curto e longo prazo, mensuráveis |
| 15. Plano de tratamento | Condutas, frequência, número estimado de sessões e orientações domiciliares |
| 16. Assinatura | Nome do fisioterapeuta, número do CREFITO, data e assinatura |
A parte de queixa e história segue a mesma lógica da anamnese médica; veja o guia sobre como fazer anamnese.
Escalas e medidas mais usadas
Dor: Escala Visual Analógica (EVA) e escala numérica
O paciente indica a intensidade da dor de 0 (sem dor) a 10 (pior dor imaginável). É rápida, entra em toda sessão e mostra tendência ao longo do tratamento. Registre também em que situação a dor foi medida (repouso, movimento, ao acordar).
Amplitude de movimento: goniometria
O goniômetro mede em graus a amplitude articular ativa e passiva. Anote a posição do paciente e compare com o lado contralateral. Medidas feitas sempre na mesma posição são as que permitem comparar na reavaliação.
Força muscular: escala de 0 a 5
| Grau | Descrição |
|---|---|
| 0 | Nenhuma contração |
| 1 | Contração visível ou palpável, sem movimento |
| 2 | Movimento completo sem ação da gravidade |
| 3 | Movimento completo contra a gravidade |
| 4 | Movimento contra alguma resistência |
| 5 | Força normal contra resistência plena |
Outras medidas conforme o caso
- Equilíbrio e risco de queda: Escala de Equilíbrio de Berg e teste Timed Up and Go, comuns em geriatria e neurologia.
- Funcionalidade: Índice de Barthel para atividades de vida diária.
- Coluna: questionários de incapacidade como o Oswestry, úteis em dorsalgias (M54 na CID-10).
- Edema: perimetria com fita métrica em pontos padronizados.
Plano de tratamento fisioterapêutico
O plano de tratamento fisioterapêutico traduz a avaliação em ação. Um bom plano tem:
- Objetivos mensuráveis: "flexão de joelho de 90° para 120° em 6 semanas" é melhor que "ganhar amplitude".
- Condutas ligadas a cada objetivo: cinesioterapia, terapia manual, eletroterapia, treino funcional.
- Frequência e duração: sessões por semana e número estimado de sessões até a reavaliação.
- Orientações domiciliares: exercícios e cuidados entre as sessões.
- Critérios de alta: o que o paciente precisa alcançar para encerrar o tratamento.
Reavaliação: como e quando fazer
A reavaliação repete os mesmos testes da avaliação inicial, nas mesmas condições, para comparar resultados. Os momentos mais comuns são:
- Ao fim de um ciclo de sessões previsto no plano.
- Quando o paciente atinge uma meta ou não evolui como esperado.
- Quando surge fato novo, como queda, nova lesão ou mudança de medicação.
- Quando o convênio exige relatório para renovar a autorização de sessões.
Registre os valores lado a lado (inicial e atual). Uma tabela simples com EVA, graus de amplitude e força facilita mostrar o progresso ao paciente e ao médico que encaminhou.
Um exemplo de registro de reavaliação de joelho após 10 sessões: dor ao subir escadas de 7 para 3 na EVA, flexão ativa de 95° para 125°, força de quadríceps de grau 3 para grau 4 e retorno à caminhada de 30 minutos sem dor. Com esses números, fica claro se o plano deve continuar, mudar de foco ou caminhar para a alta. Se o paciente não evoluiu, a reavaliação também é o momento de rever a hipótese e, se for o caso, conversar com o médico assistente.
Ficha de avaliação em papel ou no sistema
A ficha impressa funciona, mas tem limites: é difícil comparar avaliações, a letra nem sempre ajuda e o arquivo precisa ser guardado pelo prazo legal (veja o prazo de guarda do prontuário). No sistema, a ficha vira um modelo de anamnese que se preenche no atendimento, as evoluções ficam na mesma linha do tempo e a reavaliação fica a um clique da avaliação inicial.
Ficha de avaliação fisioterapêutica na rotina da clínica
Clínicas de fisioterapia ganham tempo quando a ficha de avaliação, as evoluções de cada sessão, a agenda e o faturamento do convênio ficam no mesmo lugar. No OnDoctor, a anamnese é personalizável, então a clínica monta a própria ficha de avaliação fisioterapêutica por área de atuação e usa nos atendimentos. Veja como funciona o sistema para clínica de fisioterapia.
Perguntas frequentes
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