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Saúde · 5 min de leitura

Anamnese fonoaudiológica: roteiro por área e diferenças entre infantil e adulto

Roteiro de anamnese fonoaudiológica por área (linguagem, fala, voz, audição, motricidade orofacial e deglutição), com o que muda na ficha infantil e na do adulto.

OD
Equipe OnDoctor
Sistema para clínicas e consultórios
Anamnese fonoaudiológica: roteiro por área e diferenças entre infantil e adulto

A anamnese fonoaudiológica é a entrevista inicial em que o fonoaudiólogo levanta a queixa, o histórico de saúde e de desenvolvimento e o contexto de comunicação do paciente. É ela que define quais avaliações aplicar e qual será o foco da terapia.

Como a fonoaudiologia cobre áreas muito diferentes, a ficha muda conforme a queixa. Abaixo está um roteiro comum a todos os pacientes, os blocos específicos por área e as diferenças entre a anamnese fonoaudiológica infantil e a do adulto.

Para que serve a ficha de anamnese fonoaudiológica

A base é a mesma de qualquer anamnese, como explica o guia tudo sobre anamnese. Na fonoaudiologia, a ficha cumpre quatro funções:

  • Direcionar a avaliação: uma queixa de rouquidão pede protocolo vocal; uma criança que não fala aos 2 anos pede avaliação de linguagem e audição.
  • Levantar hipóteses e sinais de alerta que exigem encaminhamento (otorrino, neurologista, pediatra, psicólogo).
  • Registrar a linha de base para medir a evolução da terapia.
  • Documentar o atendimento, inclusive para convênios e relatórios para escola ou médico.

Bloco comum: o que toda anamnese fonoaudiológica deve ter

  • Identificação: nome, idade, escolaridade ou profissão, informante (quando não for o paciente).
  • Queixa principal nas palavras do paciente ou da família, quando começou e como evoluiu.
  • Encaminhamento: quem indicou e com qual hipótese.
  • Histórico de saúde: doenças, internações, cirurgias, medicamentos, alergias.
  • Tratamentos anteriores: fono, psicologia, terapia ocupacional, por quanto tempo e com que resultado.
  • Exames já feitos: audiometria, avaliação otorrinolaringológica, exames de imagem, laudos.
  • Impacto da queixa na escola, no trabalho e na vida social.

Roteiro de anamnese fonoaudiológica por área

Linguagem

  • Idade das primeiras palavras e das primeiras frases.
  • Compreensão de ordens simples e complexas.
  • Como a pessoa se comunica quando não consegue falar: gestos, apontar, choro, puxar o adulto.
  • Interação social, contato visual, interesse por brincadeiras compartilhadas.
  • Leitura e escrita, em crianças em idade escolar e adultos com queixa adquirida.
  • No adulto: dificuldade de encontrar palavras, compreender ou ler após AVC ou doença neurológica.

Fala

  • Sons trocados, omitidos ou distorcidos, e desde quando.
  • Inteligibilidade: estranhos entendem o que a pessoa fala?
  • Gagueira: início, situações em que piora, histórico familiar, reação da pessoa às disfluências.
  • Velocidade e ritmo da fala.

Voz

  • Rouquidão, cansaço vocal, falhas, perda de voz, dor ou ardor ao falar.
  • Uso profissional da voz (professor, cantor, operador de telemarketing) e carga horária.
  • Hábitos: hidratação, pigarro, gritar, falar em ambiente ruidoso.
  • Tabagismo, álcool, refluxo, alergias respiratórias.
  • Avaliação otorrinolaringológica e exame da laringe, quando já realizados.

Audição

  • Percepção de perda auditiva, zumbido, tontura, sensação de ouvido tampado.
  • Otites de repetição, especialmente na infância.
  • Exposição a ruído no trabalho ou no lazer.
  • Em bebês: resultado da triagem auditiva neonatal (teste da orelhinha) e fatores de risco.
  • Uso de aparelho auditivo ou implante coclear.

Motricidade orofacial e deglutição

  • Respiração oral, ronco, baba, postura de lábios e língua.
  • Hábitos orais: chupeta, mamadeira, sucção de dedo, roer unhas.
  • Mastigação: lado preferido, alimentos evitados, tempo para comer.
  • Engasgos, tosse ao comer ou beber, perda de peso, pneumonias de repetição (sinais de disfagia, CID R13).
  • Tratamento ortodôntico e cirurgias de face ou boca.

Anamnese fonoaudiológica infantil

Na criança, o informante é o responsável e o desenvolvimento ganha peso. Use como base a anamnese pediátrica e aprofunde:

  • Gestação e parto: prematuridade, intercorrências, UTI neonatal, icterícia.
  • Marcos do desenvolvimento: sustentar a cabeça, sentar, andar, balbuciar, primeiras palavras.
  • Alimentação: amamentação, transição para sólidos, seletividade de texturas.
  • Brincar e interação: com que brinca, se brinca junto, se responde ao nome.
  • Escola: adaptação, queixas da professora, dificuldades de leitura e escrita.
  • Telas: tempo de exposição e uso durante as refeições.
  • Família: idiomas falados em casa, casos de atraso de fala, gagueira ou perda auditiva.

Atraso de linguagem associado a pouca interação social pede atenção à hipótese de transtorno do desenvolvimento e trabalho com a equipe. Quando há diagnóstico médico, o laudo pode trazer CID como F80 (transtornos específicos da fala e da linguagem) ou F84 (transtornos globais do desenvolvimento).

Anamnese fonoaudiológica adulto

No adulto, a queixa costuma ser adquirida e o foco muda:

  • Início e causa provável: súbito (AVC, trauma, cirurgia) ou progressivo (doença neurológica, envelhecimento, abuso vocal).
  • Condições neurológicas: AVC, Parkinson, esclerose múltipla, demências.
  • Cirurgias de cabeça e pescoço, intubação prolongada, radioterapia.
  • Demanda profissional: quanto a queixa atrapalha o trabalho.
  • Segurança da alimentação em idosos e pacientes neurológicos.
  • Rede de apoio: quem acompanha e pode ajudar nos exercícios em casa.
AspectoInfantilAdulto
InformantePais ou responsáveisO próprio paciente, às vezes com acompanhante
Queixa típicaAtraso de fala e linguagem, trocas de sons, gagueira, respiração oralRouquidão, afasia, disfagia, perda auditiva
Foco do históricoGestação, parto e marcos do desenvolvimentoInício dos sintomas, doenças neurológicas, uso da voz
Fontes extrasEscola, pediatra, outros terapeutasMédico assistente, exames, empregador

Como conduzir a entrevista

A forma de perguntar influencia a qualidade da resposta, principalmente quando a família está ansiosa com o atraso da criança ou o adulto está abalado após um AVC.

  1. Envie parte da ficha antes da consulta. Identificação, histórico de saúde e exames podem ser preenchidos em casa; na sessão você confere e aprofunda.
  2. Comece com uma pergunta aberta: "O que trouxe vocês aqui?" e deixe a pessoa contar a história do jeito dela.
  3. Depois, siga o roteiro da área para não esquecer nada relevante.
  4. Use exemplos concretos: "Ele pede água falando, apontando ou levando você até a geladeira?" rende mais que "Ele se comunica bem?".
  5. Peça vídeos curtos da criança em casa ou da voz em situações de piora; eles mostram o que não aparece no consultório.
  6. Feche explicando os próximos passos: quais avaliações serão feitas, quantas sessões e quando haverá devolutiva.

Erros comuns e boas práticas

  • Ficha única para tudo: mantenha o bloco comum e ative só a área da queixa, senão a ficha fica longa e superficial.
  • Não registrar o informante: relato da mãe e relato da escola podem divergir; anote quem disse o quê.
  • Esquecer a audição: em toda queixa de linguagem infantil, pergunte sobre audição e exames feitos.
  • Não reavaliar: retome a anamnese a cada reavaliação para atualizar queixa e metas.

Do papel ao prontuário eletrônico

Ficha em papel dificulta comparar sessões, compartilhar com a equipe e montar relatórios. No OnDoctor, a clínica cria modelos próprios de anamnese fonoaudiológica (infantil, adulto, voz, deglutição) e registra a evolução no mesmo histórico, com agenda recorrente para as sessões. Saiba mais no artigo sobre prontuário eletrônico para fonoaudiologia.

Perguntas frequentes

É a entrevista inicial feita pelo fonoaudiólogo com o paciente ou responsável para entender a queixa, o histórico de saúde e de desenvolvimento e o contexto de comunicação. Ela orienta quais avaliações aplicar e serve de base para o plano terapêutico e para comparar a evolução.

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