Folha de registro ABA: modelo, como preencher e exemplo de tentativas discretas (DTT)
Modelo de folha de registro ABA com alvo, tentativas, respostas, nível de ajuda e porcentagem de acerto, além de linha de base, critério de aquisição e gráfico de progresso.
A folha de registro ABA é o formulário em que o terapeuta anota, a cada sessão, o desempenho do paciente em cada programa: o alvo trabalhado, o resultado de cada tentativa, o nível de ajuda e a porcentagem de acerto. Sem registro não há análise do comportamento aplicada, porque é o dado que diz se a criança está aprendendo e quando mudar o ensino.
Abaixo você encontra um modelo de folha de registro ABA para tentativas discretas (DTT), um exemplo preenchido, como trabalhar com linha de base e critério de aquisição e como transformar os registros em gráfico.
Para que serve a folha de registro ABA
Na intervenção baseada em ABA, decisões não são tomadas por impressão. A folha de registro serve para:
- Medir a aprendizagem de cada alvo ao longo das sessões.
- Padronizar a aplicação quando vários terapeutas atendem a mesma criança.
- Embasar a supervisão: o supervisor analisa os dados e ajusta os programas.
- Comunicar com a família e com a equipe multiprofissional, com evidência em vez de opinião.
- Documentar o atendimento para relatórios e convênios.
Tipos de registro na ABA
- Registro de tentativas discretas (DTT): para ensino estruturado. Cada tentativa tem instrução (estímulo discriminativo), resposta da criança e consequência. É o foco deste artigo.
- Registro ABC: antecedente, comportamento e consequência, usado para entender a função de comportamentos-problema.
- Frequência, duração e latência: quantas vezes um comportamento ocorre, quanto tempo dura e quanto demora para começar.
- Registro por intervalo: se o comportamento ocorreu ou não em janelas de tempo definidas.
- Análise de tarefas: passos de uma sequência (lavar as mãos, vestir-se) e o nível de ajuda em cada passo.
Modelo folha de registro ABA (DTT)
O cabeçalho deve ter: nome da criança, data, terapeuta, programa, alvo, instrução usada, critério de aquisição e fase (linha de base, ensino, manutenção ou generalização). O corpo pode seguir este modelo:
| Alvo | T1 | T2 | T3 | T4 | T5 | T6 | T7 | T8 | T9 | T10 | % acerto |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Alvo 1 | |||||||||||
| Alvo 2 |
Em cada célula, use uma legenda única para toda a equipe. Uma comum:
- + resposta correta e independente.
- − resposta incorreta ou ausência de resposta.
- AFT ajuda física total; AFP ajuda física parcial; AG ajuda gestual; AV ajuda verbal; M modelo.
A sigla de ajuda pode ser registrada junto com o sinal (por exemplo, "+AG"). O importante é a equipe decidir, por escrito, se respostas com ajuda entram ou não na porcentagem de acerto. O mais comum é contar como acerto apenas a resposta independente.
Folha de registro ABA preenchida: exemplo
Programa: identificar cores. Instrução: "Me dá o [cor]". Fase: ensino. Três cartões na mesa.
| Alvo | T1 | T2 | T3 | T4 | T5 | T6 | T7 | T8 | T9 | T10 | % acerto |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Vermelho | + | + | AG | + | + | + | − | + | + | + | 80% |
| Azul | AFP | AG | AG | − | + | AG | + | − | + | AG | 30% |
Leitura: o vermelho está próximo do critério; o azul ainda depende de ajuda gestual. Na observação, o terapeuta anota contexto que influencia os dados: sono ruim, mudança de rotina, reforçador que perdeu valor, comportamento-problema durante o bloco.
Como preencher folha de registro ABA passo a passo
- Prepare antes da sessão: cabeçalho, alvos do dia e materiais.
- Apresente a instrução de forma igual em todas as tentativas, como está escrito no programa.
- Registre logo após cada tentativa, não no fim da sessão. Registro de memória é a maior fonte de erro.
- Anote o nível de ajuda exato, não só "com ajuda".
- Calcule a porcentagem: acertos independentes divididos pelo total de tentativas, vezes 100.
- Escreva observações curtas e objetivas sobre o contexto.
- Leve os dados para a supervisão com a frequência combinada.
Linha de base e critério de aquisição
Linha de base é o desempenho da criança antes do ensino: o terapeuta apresenta a instrução sem dar ajuda nem reforço diferencial e registra o que ela já faz. Isso evita ensinar o que já foi aprendido e dá o ponto de comparação para mostrar evolução.
Critério de aquisição é a regra para considerar o alvo aprendido. Costuma combinar uma porcentagem mínima de acertos independentes com um número de sessões consecutivas e, às vezes, com terapeutas diferentes. O valor exato é definido pelo supervisor no programa, antes de começar. Depois da aquisição, o alvo passa para manutenção (revisões espaçadas) e generalização (outros materiais, pessoas e ambientes).
Gráfico de progresso
A tabela mostra a sessão; o gráfico mostra a tendência. Monte um gráfico de linha por alvo:
- Eixo horizontal: sessões ou datas.
- Eixo vertical: porcentagem de acerto independente, de 0 a 100%.
- Linha vertical tracejada separando linha de base e ensino, e marcando mudanças de procedimento.
- Linha horizontal no valor do critério de aquisição.
Tendência subindo indica aprendizagem. Linha estável ou caindo por várias sessões pede revisão: hierarquia de ajuda, reforçador, divisão do alvo em passos menores ou pré-requisitos que faltam.
Erros comuns no registro ABA
- Legenda diferente entre terapeutas: se um conta "+AG" como acerto e outro não, a porcentagem perde o sentido. Padronize por escrito.
- Registrar no fim da sessão: a memória arredonda os dados, geralmente para cima.
- Pular a linha de base: sem ela, não dá para provar que o ensino gerou a mudança.
- Dados que ninguém analisa: folha preenchida e arquivada não muda a intervenção. Defina quando o supervisor revisa cada programa.
- Observação vaga: "criança agitada" ajuda pouco; "chorou 3 vezes ao trocar de atividade" ajuda muito.
- Folhas soltas por paciente: sem um lugar único, dados se perdem quando o terapeuta muda ou falta.
Registro digital na clínica de TEA
Folhas em papel se perdem, dificultam o gráfico e atrasam a supervisão. Muitas clínicas passam os dados para planilhas e, depois, centralizam o acompanhamento no prontuário, junto com a evolução de psicologia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, como no prontuário eletrônico para psicólogos. A integração entre áreas é o que dá coerência ao plano, como mostra o artigo sobre equipe multidisciplinar em saúde.
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Perguntas frequentes
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