Pular para o conteúdo
OnDoctor — Sistema para clínicas
← Voltar ao blog
Gestão · 6 min de leitura

Encaminhamento médico: o que é, como fazer, modelo pronto e contrarreferência

Veja o que é encaminhamento médico, o que deve constar no documento, um modelo pronto para adaptar e como organizar referência e contrarreferência na sua clínica.

OD
Equipe OnDoctor
Sistema para clínicas e consultórios
Encaminhamento médico: o que é, como fazer, modelo pronto e contrarreferência

Encaminhamento médico é o documento em que um profissional direciona o paciente a outro médico, especialidade, serviço ou nível de atenção, com o motivo, a hipótese diagnóstica, o que já foi feito e o grau de urgência. Um bom encaminhamento permite que quem recebe o paciente comece de onde o colega parou, sem repetir exames nem perder tempo.

Este artigo mostra o que é encaminhamento, quando ele é necessário, o que deve constar, um exemplo de encaminhamento médico pronto para adaptar, como funciona a contrarreferência e como a clínica pode organizar o fluxo para que nenhum paciente se perca no caminho.

O que é encaminhamento médico e quando fazer

Na lógica dos sistemas de saúde, encaminhar é fazer a referência: o profissional reconhece que o problema do paciente precisa de outra competência, outro recurso ou outro nível de complexidade. As situações mais comuns:

  • Encaminhamento para especialista: o clínico geral, pediatra ou ginecologista identifica um problema que exige avaliação de cardiologia, dermatologia, ortopedia, psiquiatria, entre outras.
  • Entre especialistas: o endocrinologista encaminha ao oftalmologista para avaliação de retinopatia diabética, por exemplo.
  • Para outros profissionais de saúde: psicólogo, fisioterapeuta, nutricionista, fonoaudiólogo, dentista.
  • Para serviço ou nível de atenção: pronto-socorro, internação, hospital-dia, centro de referência.
  • Para exames ou procedimentos que exigem avaliação prévia do executante (por exemplo, encaminhamento para cirurgia).

O encaminhamento também existe em sentido inverso. O especialista que conclui a avaliação devolve o paciente ao profissional de origem com um relatório: é a contrarreferência, tratada mais adiante.

O que deve constar no encaminhamento

Não há um formulário oficial único para a rede privada, mas o conteúdo mínimo é consenso. Um encaminhamento completo tem:

  1. Identificação do paciente: nome completo, data de nascimento, documento ou número do prontuário, convênio quando houver.
  2. Destino: especialidade, serviço ou nome do profissional, quando já definido.
  3. Motivo do encaminhamento: a pergunta que você quer que o colega responda ("avaliar indicação cirúrgica", "investigar dor torácica atípica", "acompanhamento conjunto de hipertensão de difícil controle").
  4. Resumo clínico: história breve, achados relevantes do exame físico, comorbidades, alergias e medicamentos em uso.
  5. Hipótese diagnóstica, com CID quando pertinente. O código facilita a triagem e a autorização em convênios. Use a tabela CID-10 com busca para localizar o código correto.
  6. Exames e tratamentos já realizados, com resultados e datas, para evitar repetição.
  7. Grau de urgência: eletivo, prioritário ou urgente, com a justificativa.
  8. Identificação do profissional: nome, conselho, número e UF, contato para discussão do caso.
  9. Data e assinatura (manual com carimbo ou assinatura digital).

Sobre o CID: o código no encaminhamento é informação clínica entre profissionais, diferente do atestado para o empregador, que só traz CID com autorização do paciente. Mesmo assim, trate o documento como dado sensível e entregue-o diretamente ao paciente ou envie por canal seguro.

Exemplo de encaminhamento médico (modelo)

O modelo abaixo serve para consultório particular ou convênio. Adapte o cabeçalho com os dados da clínica.

ENCAMINHAMENTO MÉDICO

Paciente: Maria da Silva · Nascimento: 12/03/1978 · Prontuário: 10452 · Convênio: Particular

Encaminho ao(à): Pneumologia

Motivo: Avaliação de asma com controle inadequado apesar de tratamento otimizado em atenção primária.

Resumo clínico: Paciente de 48 anos, asmática desde a infância, com três exacerbações nos últimos seis meses, uso de corticoide oral em duas ocasiões. Em uso regular de budesonida/formoterol em dose média, técnica inalatória revisada. Nega tabagismo. Rinite alérgica associada. Sem outras comorbidades. Alergia: dipirona.

Hipótese diagnóstica: Asma não controlada (CID-10 J45).

Exames realizados: Espirometria (15/08/2026): VEF1 68% do previsto, resposta positiva ao broncodilatador. Radiografia de tórax (15/08/2026) sem alterações. Hemograma normal.

Solicito: Avaliação de fenótipo e indicação de terapia adicional; retorno de informações para seguimento conjunto.

Urgência: Prioritário (avaliar em até 30 dias).

Dr. João Pereira · CRM-SP 123456 · Clínica Exemplo · (11) 99999-0000

São Paulo, 22 de setembro de 2026. Assinado digitalmente.

Para encaminhamento a psicólogo ou psiquiatra, a estrutura é a mesma, com a hipótese diagnóstica correspondente (por exemplo, CID-10 F41 para transtornos ansiosos) e o motivo descrito em termos de sintomas, funcionalidade e risco.

Como fazer um encaminhamento que funciona

Além dos campos obrigatórios, alguns cuidados aumentam a chance de o paciente ser atendido no lugar certo, no tempo certo:

  • Seja específico no motivo. "Avaliar" sozinho não diz nada. Escreva a dúvida que você quer esclarecida.
  • Seja breve no resumo. Meio parágrafo com o essencial vale mais do que uma página copiada do prontuário.
  • Anexe ou liste os exames com data e resultado, não apenas "exames em anexo".
  • Deixe claro o que você espera de volta: avaliação única, acompanhamento conjunto ou transferência do cuidado.
  • Oriente o paciente sobre por que está sendo encaminhado, para onde e com que prazo. Pacientes que entendem o motivo faltam menos.
  • Registre no prontuário que o encaminhamento foi feito, para quem e quando.

Contrarreferência: fechando o ciclo

Contrarreferência é a resposta do especialista ou serviço que recebeu o paciente. Em vez de o paciente voltar à consulta de origem com informação de memória ("ele disse que está tudo bem"), o profissional de origem recebe um relatório com:

  • Diagnóstico confirmado ou afastado (com CID).
  • Conduta adotada: medicamentos, procedimentos, exames solicitados.
  • Plano de acompanhamento: quem segue o paciente, com que frequência, quais sinais de alerta.
  • Orientações para o profissional de origem, se houver.

Na rede pública, referência e contrarreferência são parte formal da organização da atenção. Na clínica privada, a contrarreferência é com frequência esquecida, e o paciente fica com dois profissionais que não conversam. Uma forma simples de resolver é incluir no modelo de encaminhamento o campo "solicito retorno de informações" com o contato do profissional, e, do lado de quem recebe, ter um modelo de relatório de contrarreferência tão curto quanto o de encaminhamento.

Encaminhamento em convênio: o que muda

Para beneficiários de plano de saúde, o encaminhamento costuma ser exigido para autorização de consulta com especialista ou de procedimento, e a operadora pode pedir que ele venha acompanhado da guia do padrão TISS correspondente (guia de consulta ou de SP/SADT). Verifique o prazo de validade que a operadora aceita e inclua o CID, pois ele é usado na análise de autorização. Encaminhamentos incompletos são motivo frequente de negativa e retrabalho na recepção.

Como a clínica organiza o fluxo de encaminhamentos

Quem encaminha raramente sabe se o paciente chegou ao destino. Para não perder pacientes no caminho:

  1. Padronize o modelo no prontuário eletrônico, com os campos acima preenchidos a partir do cadastro do paciente e do atendimento.
  2. Mantenha uma lista de especialistas e serviços parceiros com contato, convênios aceitos e tempo médio de espera, acessível à recepção.
  3. Registre o encaminhamento como pendência e defina um responsável por confirmar, por telefone ou WhatsApp, se a consulta foi marcada.
  4. Agende o retorno no momento do encaminhamento, quando houver acompanhamento conjunto.
  5. Arquive a contrarreferência no prontuário do paciente, no mesmo lugar em que está o encaminhamento.

Encaminhamento no prontuário eletrônico

Em um prontuário eletrônico, o encaminhamento sai pronto a partir do atendimento: dados do paciente, resumo clínico, hipótese com CID pesquisado na hora, exames já registrados e assinatura digital, sem retrabalho de digitação. O documento fica arquivado no prontuário, e o retorno pode ser agendado na mesma tela. Veja como o OnDoctor trata documentos clínicos, CID e agenda em recursos do OnDoctor.

Perguntas frequentes

Encaminhamento médico é o documento pelo qual um profissional de saúde direciona o paciente a outro profissional, especialidade ou serviço, informando o motivo, a hipótese diagnóstica, o que já foi investigado e o grau de urgência, para dar continuidade ao cuidado.

Quer ver isso na prática?

Teste o OnDoctor grátis por 7 dias — sem cartão de crédito.

Continue lendo
Teste grátis 7 dias