DICOM: o que é, como funciona o formato, PACS, visualizadores e como a clínica recebe, guarda e compartilha exames de imagem
Entenda o que é DICOM, como é um arquivo DICOM (metadados + imagem), o que são PACS e visualizador DICOM, a diferença para JPEG e como a clínica recebe, armazena e compartilha exames de imagem com segurança e dentro da LGPD.
DICOM (Digital Imaging and Communications in Medicine) é o padrão internacional que define como imagens médicas são armazenadas, transmitidas e exibidas. Um arquivo DICOM reúne a imagem (tomografia, ressonância, raio-X, ultrassom, mamografia) e os metadados do paciente, do exame e do equipamento, e o mesmo padrão define como equipamentos, servidores PACS e visualizadores conversam entre si.
Este artigo explica, sem jargão desnecessário, o que é DICOM, como é um arquivo DICOM por dentro, o que são PACS e visualizador DICOM, a diferença para JPEG, o que é DICOMweb e, principalmente, como uma clínica recebe, armazena, compartilha e integra exames de imagem ao prontuário com segurança e dentro da LGPD.
DICOM: o que é e por que existe
Até o fim dos anos 1980, cada fabricante de equipamento de imagem usava um formato próprio. Um tomógrafo de uma marca não conversava com a estação de trabalho de outra. O padrão DICOM, mantido pela NEMA (associação de fabricantes) em conjunto com o Colégio Americano de Radiologia, resolveu isso: a versão 3.0, de 1993, é a base do que se usa hoje, com atualizações contínuas.
Na prática, o DICOM garante que:
- a imagem gerada por qualquer equipamento pode ser lida por qualquer visualizador compatível;
- a identificação do paciente e do exame viaja junto com a imagem, sem risco de troca;
- equipamentos, servidores e estações trocam exames pela rede com um protocolo comum.
Como é um arquivo DICOM por dentro
Um arquivo DICOM (em geral com extensão .dcm, ou sem extensão) tem duas partes:
- Metadados (cabeçalho): uma lista de atributos identificados por "tags" numéricas. Exemplos: nome e ID do paciente, data de nascimento, sexo, data e hora do exame, modalidade (CT, MR, US, CR/DX, MG), equipamento, parâmetros de aquisição (espessura de corte, kV, sequência), médico solicitante, instituição.
- Dados de pixel: a imagem em si, com a profundidade de bits original (12 ou 16 bits em tomografia e ressonância, por exemplo), sem compressão ou com compressão definida pelo padrão (sem perdas ou com perdas controladas).
Os arquivos se organizam em uma hierarquia: paciente → estudo → série → instância. Uma tomografia de abdome é um estudo; cada fase (sem contraste, arterial, portal) é uma série; cada corte é uma instância. É por isso que um exame "pesa" centenas ou milhares de arquivos. O conjunto costuma vir acompanhado de um índice (DICOMDIR), que o visualizador usa para montar o exame.
DICOM x JPEG: por que não usar imagem comum
| Aspecto | DICOM | JPEG / PNG |
|---|---|---|
| Conteúdo | Imagem + metadados do paciente e do exame | Só a imagem |
| Profundidade | 12 a 16 bits por pixel (milhares de tons de cinza) | 8 bits (256 tons) |
| Compressão | Sem perdas ou controlada | Com perdas (JPEG) |
| Janelamento | Ajuste de brilho e contraste sobre os dados originais (janela de osso, pulmão, partes moles) | Fixo; o que foi exportado é o que se vê |
| Medidas e reconstrução 3D | Sim, com escala real em milímetros | Não confiável |
| Uso | Diagnóstico, laudo, comparação com exames anteriores | Ilustração, compartilhamento rápido, apresentação |
Um JPEG exportado de uma tomografia serve para mostrar ao paciente ou anexar como ilustração, mas não para laudar nem comparar com exame anterior. Para fins de registro e diagnóstico, o que vale é o DICOM.
PACS, RIS e visualizador DICOM
Três siglas aparecem sempre junto com DICOM:
- PACS (Picture Archiving and Communication System): o servidor que recebe, armazena e distribui as imagens DICOM. É o "arquivo" da clínica de imagem, hoje quase sempre em nuvem.
- RIS (Radiology Information System): o sistema que organiza o fluxo do setor de imagem: agendamento, lista de trabalho enviada ao equipamento (worklist), laudo, entrega de resultados. O RIS fala com o PACS e com o sistema de gestão da clínica.
- Visualizador DICOM: o software que abre e manipula as imagens: janelamento, medidas, reconstruções, comparação de séries. Pode ser instalado no computador (Weasis, RadiAnt, Horos, 3D Slicer) ou rodar no navegador (OHIF e visualizadores embutidos em portais de resultado).
O DICOMweb é a extensão do padrão para a web: um conjunto de serviços (consultar, baixar e enviar exames por HTTP) que permite abrir imagens no navegador e integrar PACS a portais, aplicativos e prontuários sem instalar nada na máquina do usuário.
Como a clínica recebe, armazena e compartilha exames de imagem
Clínica que não produz imagem (consultório, clínica de especialidades)
Os exames chegam de fora, em CD, pendrive, link de portal ou PDF do laudo. Recomendações:
- Guarde o laudo no prontuário do paciente, anexado ao atendimento em que foi avaliado.
- Guarde a imagem quando ela for relevante para a conduta (cirurgia, acompanhamento de lesão). Um link de portal pode expirar; o DICOM baixado não.
- Use um visualizador gratuito para abrir CDs e links; não dependa do visualizador do CD, que muitas vezes só roda em Windows antigo.
- Exporte uma imagem-chave em JPEG para ilustrar a evolução, sem substituir o DICOM.
Clínica que produz imagem (radiologia, ultrassonografia, odontologia com tomógrafo)
O equipamento envia o exame ao PACS; o radiologista lauda no RIS ou em estação integrada; o resultado vai para o paciente por portal e para o solicitante. Pontos de atenção:
- Worklist: o cadastro do paciente deve sair do sistema de gestão para o equipamento, evitando digitação no aparelho e erro de identificação.
- Armazenamento: exames de tomografia e ressonância ocupam centenas de megabytes; o custo de nuvem precisa entrar na conta.
- Entrega: portal com link e senha, visualizador web e PDF do laudo substituem o CD. Veja como estruturar o laudo a distância em como fazer laudos médicos pela internet.
Integração com o prontuário eletrônico
Para o médico que atende, o ideal é abrir o prontuário e ver, no mesmo lugar, a evolução, o pedido de exame, o laudo e a imagem. Há níveis de integração:
- Anexo: o laudo em PDF e imagens-chave anexados ao atendimento. É o mínimo, e resolve a maioria dos consultórios.
- Link para o visualizador: o prontuário guarda o link do estudo no PACS; um clique abre o exame no visualizador web.
- Integração completa: o prontuário consulta o PACS via DICOMweb e exibe o exame embutido, com o pedido e o laudo vinculados por identificador.
Em qualquer nível, o laudo deve estar estruturado com identificação, descrição, conclusão e assinatura. O que entra no documento está em laudo e relatório médico.
LGPD, segurança e prazo de guarda das imagens
A imagem DICOM é dado de saúde, portanto dado sensível pela LGPD, e faz parte do prontuário. Isso traz três obrigações:
- Guarda: o prazo é o do prontuário: no mínimo 20 anos a partir do último registro, pela Lei 13.787/2018 e pelas normas do CFM. Veja os detalhes em prazo de guarda do prontuário médico.
- Segurança: controle de acesso por perfil, registro de quem abriu cada exame, backup e criptografia. CDs soltos em gaveta e links sem senha não atendem a isso.
- Compartilhamento: enviar exame a outro profissional exige finalidade clínica e canal seguro. Grupo de WhatsApp com imagem identificada é o erro mais comum. Para ensino ou publicação, os metadados de identificação devem ser removidos (anonimização), o que o DICOM permite fazer por ferramenta.
Imagens e laudos no OnDoctor
No OnDoctor, o médico anexa laudos e imagens ao atendimento no prontuário eletrônico, registra o pedido de exame e guarda tudo no mesmo histórico do paciente, com controle de acesso por perfil e dados em nuvem. Conheça os recursos em funcionalidades do OnDoctor.
Perguntas frequentes
Teste o OnDoctor grátis por 7 dias — sem cartão de crédito.
