Repasse médico: como calcular, modelos de cálculo e exemplos práticos
Veja os modelos de repasse médico (percentual, valor fixo, por procedimento ou convênio), a diferença entre repassar pelo atendido ou pelo recebido e exemplos com números.
Repasse médico é o valor que a clínica transfere ao profissional pelos atendimentos que ele realizou, calculado por uma regra combinada: um percentual, um valor fixo ou uma tabela por procedimento ou convênio. Para calcular o repasse médico corretamente, a clínica precisa definir três coisas antes do primeiro atendimento: a forma de cálculo, a base (valor atendido ou valor recebido) e o que será descontado, como glosas e taxas de cartão.
Parece simples, mas é uma das maiores fontes de atrito entre clínica e corpo clínico. A seguir, os modelos mais usados, exemplos com números e os pontos que devem estar no contrato.
Os modelos de repasse médico mais usados
A maioria das clínicas combina mais de um modelo, conforme o tipo de atendimento. Os principais são:
- Percentual sobre o valor: o profissional recebe uma fatia de cada atendimento (por exemplo, 60% da consulta particular). É o modelo mais comum em consultas.
- Valor fixo por atendimento: um valor em reais por consulta ou sessão, independentemente do preço cobrado. Comum em sessões de terapia, fisioterapia e exames de rotina.
- Por procedimento: cada procedimento tem sua própria regra. Um retorno pode ter repasse zero, uma consulta 50% e um procedimento estético 40%.
- Por convênio: a regra muda conforme o plano de saúde, porque cada operadora paga um valor diferente pela mesma consulta e com prazos diferentes.
- Por especialidade ou unidade: clínicas com várias especialidades ou filiais costumam ter regras distintas para cada uma.
Também existe o modelo inverso, em que o profissional paga à clínica um valor pelo uso da sala (sublocação). Nesse caso não há repasse, e sim cobrança do espaço; o cálculo é outro.
Como calcular repasse médico: base atendida ou recebida
A pergunta que mais gera discussão é: o percentual incide sobre o quê? Há duas bases possíveis.
- Repasse por atendimento: o valor é gerado quando o paciente é atendido, sobre o preço do serviço. O médico sabe na hora quanto vai receber.
- Repasse por recebimento: o valor só é gerado quando o dinheiro entra no caixa. Se o paciente parcelou, o repasse acompanha as parcelas; se o convênio glosou, a parte glosada não gera repasse.
Dentro de cada base ainda é preciso decidir entre o valor total (bruto) e o valor líquido, isto é, depois de descontar taxa de cartão, desconto concedido ao paciente ou impostos, se o contrato prever.
Exemplo numérico (valores ilustrativos)
Uma consulta particular de R$ 300, paga no cartão de crédito com taxa de 3%, e uma consulta de convênio com valor de tabela de R$ 150, da qual R$ 30 foram glosados. A regra é 60% no particular e 50% no convênio.
| Situação | Base | Cálculo | Repasse |
|---|---|---|---|
| Particular, valor total | R$ 300,00 | 60% × 300 | R$ 180,00 |
| Particular, valor líquido | R$ 291,00 | 60% × 291 | R$ 174,60 |
| Convênio, valor atendido | R$ 150,00 | 50% × 150 | R$ 75,00 |
| Convênio, valor recebido | R$ 120,00 | 50% × 120 | R$ 60,00 |
A diferença parece pequena por atendimento, mas em um mês com centenas de consultas ela vira um valor relevante. Por isso a base precisa estar escrita, não apenas combinada de boca.
Repasse de convênio para o médico: glosas e prazos
No convênio, a operadora paga semanas depois do atendimento e pode glosar parte das guias. Isso cria duas decisões:
- Quando pagar: se a clínica repassa pelo atendido, ela adianta ao médico um dinheiro que ainda não recebeu. Se repassa pelo recebido, o médico espera o ciclo do convênio.
- O que fazer com a glosa: no repasse pelo recebido, a glosa já fica fora da conta. No repasse pelo atendido, o contrato deve dizer se a glosa será descontada no repasse seguinte e se o valor volta caso o recurso de glosa seja aceito.
Glosa recorrente costuma ter causa operacional, como guia mal preenchida ou falta de autorização. Vale atacar a origem; veja como reduzir glosas de convênio. Quando a glosa é por documentação do próprio profissional, faz sentido que a regra de desconto seja clara para todos.
Repasse em equipe: cirurgias, procedimentos e atendimentos em grupo
Quando vários profissionais participam do mesmo atendimento, cada um precisa de uma regra própria. Um exemplo ilustrativo de procedimento de R$ 2.000:
- Executor (cirurgião): 50% do valor, R$ 1.000.
- Auxiliar: 15% do valor, R$ 300.
- Instrumentador: valor fixo de R$ 150.
- Clínica: o restante, R$ 550, para cobrir sala, materiais e estrutura.
O erro mais comum é calcular o repasse da equipe à parte, em planilha, e esquecer alguém. O ideal é que a equipe fique registrada no próprio agendamento, para que o cálculo saia junto com o atendimento.
O que deve estar no contrato entre clínica e profissional
O contrato é o que transforma a regra em acordo. Ele deve trazer, no mínimo:
- Forma de cálculo de cada tipo de atendimento (percentual, valor fixo, tabela por procedimento ou convênio).
- Base de cálculo: valor atendido ou recebido, total ou líquido.
- Descontos permitidos: taxas de cartão, glosas, descontos dados ao paciente, cortesias.
- Periodicidade e data de pagamento do repasse (semanal, quinzenal, mensal).
- Como o profissional confere os valores: relatório detalhado por atendimento.
- Documento fiscal: se o profissional atua como pessoa jurídica, quem emite nota para quem e sobre qual valor.
- Vigência da regra e como ela pode ser reajustada.
A forma de contratação muda bastante o impacto tributário do repasse. Se essa dúvida existe, leia se a PJ médica vale a pena e converse com o contador da clínica antes de assinar.
Erros comuns no cálculo do repasse
- Regra que muda sem data: o percentual mudou, mas ninguém registrou a partir de quando. Toda regra precisa de vigência.
- Exceções na cabeça de uma pessoa: "esse convênio é diferente", "esse procedimento não entra". Se não está no sistema, alguém vai errar.
- Planilha alimentada à mão: cada digitação é uma chance de erro e cada fechamento vira uma conferência longa.
- Relatório sem detalhe: o profissional recebe um total e não consegue conferir paciente a paciente, o que gera desconfiança.
Repasse médico no OnDoctor
No OnDoctor, o repasse sai do mesmo lugar em que o atendimento é registrado. As regras de repasse têm prioridade e vigência (início e fim), e podem ser filtradas por convênio, forma de recebimento, procedimento, categoria de procedimento, especialidade, empresa e profissional. Cada regra define o papel de quem recebe (executor, uma pessoa fixa ou a equipe), o tipo de cálculo (percentual ou valor fixo) e a base. Com o agendamento com equipe, os profissionais vinculados entram no atendimento e no cálculo. O repasse pode ser gerado automaticamente, ao atender ou ao receber, conforme o tipo de repasse do profissional, ou feito de forma manual; o detalhamento mostra cada item com a forma de recebimento e pode ser impresso para conferência. Conheça o controle financeiro do OnDoctor.
Perguntas frequentes
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