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Financeiro · 6 min de leitura

Repasse médico: como calcular, modelos de cálculo e exemplos práticos

Veja os modelos de repasse médico (percentual, valor fixo, por procedimento ou convênio), a diferença entre repassar pelo atendido ou pelo recebido e exemplos com números.

OD
Equipe OnDoctor
Sistema para clínicas e consultórios
Repasse médico: como calcular, modelos de cálculo e exemplos práticos

Repasse médico é o valor que a clínica transfere ao profissional pelos atendimentos que ele realizou, calculado por uma regra combinada: um percentual, um valor fixo ou uma tabela por procedimento ou convênio. Para calcular o repasse médico corretamente, a clínica precisa definir três coisas antes do primeiro atendimento: a forma de cálculo, a base (valor atendido ou valor recebido) e o que será descontado, como glosas e taxas de cartão.

Parece simples, mas é uma das maiores fontes de atrito entre clínica e corpo clínico. A seguir, os modelos mais usados, exemplos com números e os pontos que devem estar no contrato.

Os modelos de repasse médico mais usados

A maioria das clínicas combina mais de um modelo, conforme o tipo de atendimento. Os principais são:

  • Percentual sobre o valor: o profissional recebe uma fatia de cada atendimento (por exemplo, 60% da consulta particular). É o modelo mais comum em consultas.
  • Valor fixo por atendimento: um valor em reais por consulta ou sessão, independentemente do preço cobrado. Comum em sessões de terapia, fisioterapia e exames de rotina.
  • Por procedimento: cada procedimento tem sua própria regra. Um retorno pode ter repasse zero, uma consulta 50% e um procedimento estético 40%.
  • Por convênio: a regra muda conforme o plano de saúde, porque cada operadora paga um valor diferente pela mesma consulta e com prazos diferentes.
  • Por especialidade ou unidade: clínicas com várias especialidades ou filiais costumam ter regras distintas para cada uma.

Também existe o modelo inverso, em que o profissional paga à clínica um valor pelo uso da sala (sublocação). Nesse caso não há repasse, e sim cobrança do espaço; o cálculo é outro.

Como calcular repasse médico: base atendida ou recebida

A pergunta que mais gera discussão é: o percentual incide sobre o quê? Há duas bases possíveis.

  • Repasse por atendimento: o valor é gerado quando o paciente é atendido, sobre o preço do serviço. O médico sabe na hora quanto vai receber.
  • Repasse por recebimento: o valor só é gerado quando o dinheiro entra no caixa. Se o paciente parcelou, o repasse acompanha as parcelas; se o convênio glosou, a parte glosada não gera repasse.

Dentro de cada base ainda é preciso decidir entre o valor total (bruto) e o valor líquido, isto é, depois de descontar taxa de cartão, desconto concedido ao paciente ou impostos, se o contrato prever.

Exemplo numérico (valores ilustrativos)

Uma consulta particular de R$ 300, paga no cartão de crédito com taxa de 3%, e uma consulta de convênio com valor de tabela de R$ 150, da qual R$ 30 foram glosados. A regra é 60% no particular e 50% no convênio.

SituaçãoBaseCálculoRepasse
Particular, valor totalR$ 300,0060% × 300R$ 180,00
Particular, valor líquidoR$ 291,0060% × 291R$ 174,60
Convênio, valor atendidoR$ 150,0050% × 150R$ 75,00
Convênio, valor recebidoR$ 120,0050% × 120R$ 60,00

A diferença parece pequena por atendimento, mas em um mês com centenas de consultas ela vira um valor relevante. Por isso a base precisa estar escrita, não apenas combinada de boca.

Repasse de convênio para o médico: glosas e prazos

No convênio, a operadora paga semanas depois do atendimento e pode glosar parte das guias. Isso cria duas decisões:

  1. Quando pagar: se a clínica repassa pelo atendido, ela adianta ao médico um dinheiro que ainda não recebeu. Se repassa pelo recebido, o médico espera o ciclo do convênio.
  2. O que fazer com a glosa: no repasse pelo recebido, a glosa já fica fora da conta. No repasse pelo atendido, o contrato deve dizer se a glosa será descontada no repasse seguinte e se o valor volta caso o recurso de glosa seja aceito.

Glosa recorrente costuma ter causa operacional, como guia mal preenchida ou falta de autorização. Vale atacar a origem; veja como reduzir glosas de convênio. Quando a glosa é por documentação do próprio profissional, faz sentido que a regra de desconto seja clara para todos.

Repasse em equipe: cirurgias, procedimentos e atendimentos em grupo

Quando vários profissionais participam do mesmo atendimento, cada um precisa de uma regra própria. Um exemplo ilustrativo de procedimento de R$ 2.000:

  • Executor (cirurgião): 50% do valor, R$ 1.000.
  • Auxiliar: 15% do valor, R$ 300.
  • Instrumentador: valor fixo de R$ 150.
  • Clínica: o restante, R$ 550, para cobrir sala, materiais e estrutura.

O erro mais comum é calcular o repasse da equipe à parte, em planilha, e esquecer alguém. O ideal é que a equipe fique registrada no próprio agendamento, para que o cálculo saia junto com o atendimento.

O que deve estar no contrato entre clínica e profissional

O contrato é o que transforma a regra em acordo. Ele deve trazer, no mínimo:

  • Forma de cálculo de cada tipo de atendimento (percentual, valor fixo, tabela por procedimento ou convênio).
  • Base de cálculo: valor atendido ou recebido, total ou líquido.
  • Descontos permitidos: taxas de cartão, glosas, descontos dados ao paciente, cortesias.
  • Periodicidade e data de pagamento do repasse (semanal, quinzenal, mensal).
  • Como o profissional confere os valores: relatório detalhado por atendimento.
  • Documento fiscal: se o profissional atua como pessoa jurídica, quem emite nota para quem e sobre qual valor.
  • Vigência da regra e como ela pode ser reajustada.

A forma de contratação muda bastante o impacto tributário do repasse. Se essa dúvida existe, leia se a PJ médica vale a pena e converse com o contador da clínica antes de assinar.

Erros comuns no cálculo do repasse

  • Regra que muda sem data: o percentual mudou, mas ninguém registrou a partir de quando. Toda regra precisa de vigência.
  • Exceções na cabeça de uma pessoa: "esse convênio é diferente", "esse procedimento não entra". Se não está no sistema, alguém vai errar.
  • Planilha alimentada à mão: cada digitação é uma chance de erro e cada fechamento vira uma conferência longa.
  • Relatório sem detalhe: o profissional recebe um total e não consegue conferir paciente a paciente, o que gera desconfiança.

Repasse médico no OnDoctor

No OnDoctor, o repasse sai do mesmo lugar em que o atendimento é registrado. As regras de repasse têm prioridade e vigência (início e fim), e podem ser filtradas por convênio, forma de recebimento, procedimento, categoria de procedimento, especialidade, empresa e profissional. Cada regra define o papel de quem recebe (executor, uma pessoa fixa ou a equipe), o tipo de cálculo (percentual ou valor fixo) e a base. Com o agendamento com equipe, os profissionais vinculados entram no atendimento e no cálculo. O repasse pode ser gerado automaticamente, ao atender ou ao receber, conforme o tipo de repasse do profissional, ou feito de forma manual; o detalhamento mostra cada item com a forma de recebimento e pode ser impresso para conferência. Conheça o controle financeiro do OnDoctor.

Perguntas frequentes

Não existe percentual padrão definido em norma. O valor depende da especialidade, de quem fornece estrutura, equipe e materiais, de quem traz o paciente e do tipo de atendimento. O que importa é que o percentual e a base de cálculo estejam escritos no contrato entre clínica e profissional.

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