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Odontologia · 6 min de leitura

Raio-x odontológico no consultório: tipos de radiografia, digital x convencional, exigências legais e guarda das imagens

Guia de radiologia odontológica para a clínica: tipos de raio-x (periapical, bite-wing, panorâmica, tomografia), digital ou convencional, licença da vigilância, dosimetria e guarda das imagens.

OD
Equipe OnDoctor
Sistema para clínicas e consultórios
Raio-x odontológico no consultório: tipos de radiografia, digital x convencional, exigências legais e guarda das imagens

O raio-x odontológico é o exame de imagem básico do consultório: periapical e bite-wing para cáries e raízes, oclusal para o arco, panorâmica para a visão geral dos maxilares, telerradiografia para ortodontia e tomografia de feixe cônico para implantes e cirurgias. Ter o aparelho na clínica depende de licença da vigilância sanitária, responsável técnico, blindagem, dosimetria e um fluxo de guarda das imagens no prontuário.

Este guia de radiologia odontológica resume o que o dentista e o gestor precisam decidir: quais tipos de radiografia fazer na clínica e quais encaminhar, se vale migrar para o digital, o que a legislação exige para instalar o equipamento e como arquivar as imagens com segurança.

Tipos de raio-x odontológico

As radiografias se dividem em intrabucais, com o receptor dentro da boca, e extrabucais, com o receptor fora. Cada uma tem indicação específica:

Tipo O que mostra Indicação típica
Periapical Dente inteiro, da coroa ao ápice, e osso ao redor Lesões periapicais, endodontia, fraturas, avaliação de raízes
Interproximal (bite-wing) Coroas de dentes superiores e inferiores no mesmo filme Cáries entre os dentes, adaptação de restaurações, crista óssea
Oclusal Vista ampla do arco superior ou inferior Dentes inclusos, cálculos salivares, fraturas de maxila, expansão
Panorâmica (ortopantomografia) Todos os dentes, maxila, mandíbula, seios e ATM em uma imagem Triagem inicial, sisos, planejamento geral, ortodontia e implantes
Telerradiografia (lateral ou frontal) Perfil do crânio e da face em escala conhecida Cefalometria para ortodontia e cirurgia ortognática
Tomografia de feixe cônico (cone beam) Imagem tridimensional de maxila e mandíbula Implantes, dentes inclusos próximos a nervos, endodontia complexa, ATM

Um consultório geral costuma ter um aparelho periapical, suficiente para as intrabucais. Panorâmica, telerradiografia e tomografia exigem equipamentos maiores e, na maior parte das clínicas, são encaminhados a um centro de radiologia odontológica, que também monta a documentação ortodôntica completa.

Raio-x digital x convencional

No sistema convencional, o filme é exposto e revelado em câmara escura com revelador e fixador. No digital, a imagem é capturada por um sensor ligado ao computador (sistema direto) ou por uma placa de fósforo lida em um scanner (sistema indireto, com placas finas parecidas com o filme). Diferenças práticas:

  • Tempo: o sensor direto mostra a imagem em segundos; a placa de fósforo leva menos de um minuto; o filme, vários minutos entre revelação e secagem.
  • Dose de radiação: os sensores digitais precisam de menos exposição que o filme, o que reduz a dose para o paciente.
  • Qualidade: a imagem digital pode ser ampliada, ter contraste ajustado e receber medições, o que ajuda no diagnóstico e na explicação ao paciente.
  • Descarte: o digital elimina revelador, fixador e chumbo dos filmes, resíduos químicos que precisam de descarte controlado.
  • Conforto: sensores rígidos são mais grossos que o filme e incomodam alguns pacientes; as placas de fósforo são mais finas, mas frágeis.
  • Custo: o investimento inicial no sensor ou no scanner é maior; o custo por exame, menor, e a imagem já nasce no prontuário.

Para clínica nova, o digital é a escolha padrão. Para quem ainda usa filme, a migração compensa principalmente pela economia de tempo de cadeira e pela guarda organizada.

Exigências para ter aparelho de raio-x no consultório

Instalar um aparelho de raio-x é operar uma fonte de radiação ionizante. A regra geral vem da RDC 611/2022 da Anvisa, que estabelece os requisitos sanitários para serviços de radiologia diagnóstica, e substituiu as normas anteriores sobre o tema (a antiga Portaria 453/1998 e a RDC 330/2019). Cada estado e município complementa com normas da vigilância sanitária local, então confira a exigência da sua região. Em linhas gerais, o consultório precisa de:

  1. Licença sanitária específica para radiodiagnóstico, além do alvará da clínica. A vigilância pode exigir vistoria antes de liberar.
  2. Responsável técnico pelo serviço de radiologia: cirurgião-dentista habilitado, que responde pelo uso do equipamento, pelas rotinas de proteção e pelos registros.
  3. Projeto básico de arquitetura e blindagem da sala, assinado por profissional habilitado, e levantamento radiométrico comprovando que os níveis fora da sala estão dentro dos limites.
  4. Controle de qualidade do equipamento: testes de aceitação na instalação e testes periódicos (constância), com laudos arquivados.
  5. Dosimetria individual para os trabalhadores ocupacionalmente expostos, com dosímetro trocado mensalmente e relatórios guardados.
  6. Proteção do paciente: avental plumbífero e protetor de tireoide disponíveis, posicionadores e colimação adequada. A indicação de usar o avental em cada tipo de exame segue a norma e a avaliação clínica.
  7. Sinalização da área controlada, treinamento da equipe e memorial descritivo com as rotinas de proteção radiológica.
  8. Registro no CRO da clínica e do profissional, como em qualquer atividade odontológica.

Dois pontos que geram multa com frequência: dosímetro vencido ou sem leitura e falta dos laudos de controle de qualidade. Guarde tudo em pasta própria, física ou digital, e revise anualmente.

Quem pode fazer a radiografia

A tomada da radiografia intrabucal pode ser feita pelo cirurgião-dentista e pelo técnico em saúde bucal (TSB), este sob supervisão, conforme a Lei 11.889/2008. O auxiliar em saúde bucal (ASB) pode processar o filme e preparar o paciente, mas não dispara o aparelho. Extrabucais e tomografias em centros de imagem são feitas por técnicos em radiologia ou dentistas, e o laudo é do cirurgião-dentista, em geral especialista em radiologia odontológica e imaginologia. As atribuições de cada membro da equipe estão em ASB e TSB: funções e diferenças.

Guarda das imagens: DICOM, prontuário e prazo

A radiografia é parte do prontuário e deve ser guardada pelo mesmo prazo. Para imagens digitais, a orientação dos conselhos é guardar por no mínimo 20 anos, com backup; o detalhamento está em prazo de guarda do prontuário. Regras práticas:

  • Vincule cada imagem ao paciente e à data no prontuário eletrônico, com o tipo de exame e o dente ou região. Imagem solta em pasta do computador é imagem perdida.
  • Formato: aparelhos panorâmicos, tomógrafos e muitos sensores exportam em DICOM, o padrão de imagem médica que guarda os dados do paciente e da aquisição junto com a imagem. Veja o que é DICOM. Para uso no dia a dia e envio ao paciente, JPEG ou PDF resolvem, mas mantenha o original.
  • Backup: em nuvem ou em servidor com cópia externa. Perder o HD do computador do raio-x é perder anos de prontuário.
  • Acesso do paciente: ele tem direito à cópia das suas imagens. O digital facilita: exporta e envia.
  • LGPD: imagem é dado pessoal sensível de saúde. Controle de acesso por usuário e registro de quem abriu o exame são o mínimo.

Com prontuário eletrônico odontológico, a radiografia fica anexada à evolução do dia e ao odontograma, e o dentista compara a imagem atual com a anterior na mesma tela.

Radiologia odontológica e documentação ortodôntica

Para a ortodontia, o conjunto de exames (panorâmica, telerradiografia com cefalometria, periapicais, fotografias e modelos ou escaneamento) forma a documentação ortodôntica, normalmente feita em centro de radiologia e entregue em meio digital. O consultório recebe os arquivos e o laudo e precisa arquivá-los no prontuário como qualquer outro exame. O que compõe o pacote e como organizar está em documentação ortodôntica: o que é e o que inclui.

Raio-x odontológico no dia a dia da clínica

Na rotina, o que mais trava não é o exame, é o que acontece depois dele: achar a imagem do paciente, comparar com a de seis meses atrás, anexar ao orçamento e mandar para o convênio ou para o paciente. No OnDoctor Odonto, as radiografias ficam anexadas ao prontuário eletrônico do paciente, junto do odontograma e do orçamento, acessíveis de qualquer cadeira da clínica e com backup em nuvem.

Perguntas frequentes

Intrabucais, feitos com o filme ou sensor dentro da boca (periapical, interproximal ou bite-wing e oclusal), e extrabucais, com o aparelho girando ao redor da cabeça (panorâmica, telerradiografia lateral e tomografia computadorizada de feixe cônico). Cada tipo responde a uma pergunta clínica diferente.

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